Register  /  Login

O Blog do Futebol em Portugal

Futebol / O futebol não precisa de quimio

O futebol não precisa de quimio

É facto bem conhecido, por quem estiver minimamente atento ao mundo do futebol, que existem teias de interesses que determinam muito do destino dos clubes e seus jogadores. Mas tal será sempre verdade, seja pela competência e integridade dos seus dirigentes como pelas condicionantes do seu meio: demográfico, geográfico e/ou económico. Contudo falamos de interesses particulares, retratados tantas vezes como independentes do fenómeno desportivo, como um “cancro” que o corrompe. Haverá exemplo de interesses instaurados em qualquer outro ramo que não faça precisamente isso?

Qual a manifestação desses interesses e como parecem afetar o jogo e a sustentabilidade da industria?

– Um numero injustificado de transferências (sem fundamento desportivo)

– Numero de vínculos contratuais celebrados por clube não proporcional as necessidades competitivas (rever artigo 77 do regulamento das competições)

– Rápida inflação de mercado (passes de jogadores)

– Outros padrões de mercado (relações entre agentes)

– Repartição dos direitos económicos dos jogadores (rever regulamentação FIFA)

Como referi a pouco, este fenómeno é muitas vezes descrito como um “cancro” – proliferação anormal de células – e nestes moldes é uma alusão bastante certeira. Contudo, sou um convicto opositor da proibição do “third party ownership” implementado pela FIFA com efeito a partir de 1 de Maio de 2015. A meu ver, esta medida restringe uma liberdade negocial que carecia apenas de ser restringida atraves da revisão de Regulamentação ja existente:

– Reforço das medidas e sanções impostas em respeito ao Fair Play Financeiro

– Forçar os clubes, que assim desejem, a livre licitação da menor parte dos direitos económicos dos jogadores, independentemente de quem seja a parte interessada (rever “player agents regulations”, FIFA)

– Restringir o numero de inscrições para as demais competições nacionais (o artigo 77 do regulamento das competições da LPFP limita em 53(!) o numero de jogadores com contrato de trabalho desportivo/formação a incluir no plantel e utilizar por época desportiva; aos quais, os clubes com equipa B podem incluir além do previsto 28 jogadores com idade até aos 23 anos)

– Regulamentar, em concordância com o parecer do Comité Disciplinar da FIFA, que todas as transferências sem fundamento desportivo sejam consideradas ilegítimas, como forma de limitar transferências de jogadores em moldes que visem apenas os interesses dos seus intermediários e outros comissionistas (Já em vigor).

– Aumentar a tranche destinada aos clubes formadores, actualmente estipulada em 5%.

Quanto aos interesses instaurados na FIFA, na UEFA e nas restantes Confederações e Federações? Será que o destino do futebol mundial pode ser deixado nas mãos de privados? Porque motivo ainda não foi tomada qualquer ação fundamentada com o regulamento em vigor contra qualquer agente/intermediario?

 

Comentar