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O Blog do Futebol em Portugal

Futebol / Crônica direta da senzala – (9) – Selecção Nacional com Paulo Bento, muda da noite mais obscura para o dia mais luminoso…

Crônica direta da senzala – (9) – Selecção Nacional com Paulo Bento, muda da noite mais obscura para o dia mais luminoso…

Caros Amigos

Tínhamos, e por varias vezes, alertado para a tristeza franciscana que grassava na Selecção Nacional Portuguesa de Futebol, comandada pelo Sr. Carlos Queiroz, onde para além dos resultados desportivos serem na sua globalidade mais do que medíocres, ainda se tinha que conviver com um ambiente geral de odor a laranjas podres que empestava todos os arredores dos locais onde; aquela equipa de autênticos “matraquilhos” se deslocava, para nos presentear com autênticos momentos de descrédito sobre o que se chama futebol.

Demorou muito mais tempo do que o que seria desejável, para não redizer pela milésima centésima décima quarta vez que nem sequer o Sr. Carlos Queiroz deveria ter regressado, mais alguma vez, nesta sua encarnação a dirigir os destinos da Selecção Nacional Portuguesa de Futebol, da mesma forma que acho praticamente impossível, a muito tempo, que jamais o Sporting Clube de Portugal, o Real Madrid ou até a Selecção da África do Sul possam algum dia voltar a ter nos seus quadros, como profissional, tamanha criatura.

Quando aventei por antecipação, neste mesmo espaço, que Paulo Bento poderia ser o homem da vez a frente da Selecção Nacional Portuguesa, de Futebol; recordo que alguns cépticos leitores me chamaram de quase demente, por considerar com convicção que a postura do jovem técnico seria a mais apropriada para dirigir os destinos da Selecção Portuguesa, por via do seu conhecimento e entrosamento com os atletas, ainda mais que foi conhecedor in-logo dos truques internos da vivencia da Selecção Nacional, embora em outras épocas, e que o seu trabalho a frente da equipa do Sporting demonstrava capacidade de realização com poucos meios humanos ao seu dispor.

Ninguém apostava, direi que quase ninguém, salvo raras, muito raras exceções, que Paulo Bento tinha tudo para dar certo no cargo, mas mesmo assim, e por autentico milagre de visão do Sr. Madail, o homem lá foi escolhido, embora como terceira ou quarta opção, mas foi o escolhido e em tão boa hora que os resultados desportivos positivos, recentemente obtidos frente a Dinamarca e a Islândia, carimbaram desde já a boa opção tomada.

Mais importante ainda que os resultados positivos obtidos, que obviamente são determinantes para que possam continuar a sonhar num apuramento para a fase final do Europeu de 2012, a que ter em linha de conta que Portugal recuperou uma Selecção Nacional que já não existia a muito tempo, em termos de coletivo, vontade e prazer de jogar dos jogadores selecionados, e capacidade do selecionador poder colocar em campo tudo o que deseja.

O que antes pareciam gatinhos em campo, foram agora autenticas feras futebolísticas, com muita vontade e desejo de vencer. Esta vontade não se impõe a um atleta, mas; se conquista com entendimento e entrega entre os jogadores e a equipa técnica.

Pode bem dizer-se que perante aquilo que pudemos ver, em 180 minutos de jogo, nas duas partidas contra a Dinamarca e contra a Islândia, Portugal esta num muito bom caminho a nível de Selecção Nacional de Futebol, debaixo das ordens de Paulo Bento.

Com exibições acima do sofrível, os resultados positivos acabaram por surgir quase como que normalmente, ao contrario do sufoco com que víamos o trabalho de Queiroz, premiado com desastres…

Em termos de jogo verdadeiramente jogado, sobre o relvado, dizer que a partida contra a Dinamarca serviu para iniciar um novo ciclo de confiança e determinação, com uma exibição recheada de momentos de forte consistência e determinação.

Obviamente que o jogo contra a Dinamarca tinha um risco máximo face a um adversário direto no Grupo – H, nas intenções de apuramento para o Europeu – 2012, mas nem essa importante condicionante fez alterar a forma de encarar o jogo.

A nova realidade competitiva tem bases solidificadas na confiança que se estabeleceu entre todos os elementos da equipa técnica e os jogadores selecionados. Paulo Bento não é uma figura tão interventiva, e ao mesmo tempo não é tão “controleiro” como Queiroz, para além de confiar nos elementos que com ele trabalham, ao contrario de Queiroz que desconfiava de tudo e de todos e tinha um trabalho mais racional e voltado para estatísticas e despersonalização do que humanizado e voltado para o entendimento de que cada jogador é um ser diferente e as suas capacidades tem que ser analisadas de acordo com o momento e as suas características.

O futebol não é jogado por maquinas mas sim por seres humanos que querem ser respeitados e entendidos.

Coisas simples e pequenas que fazem muito a diferença determinante no entrosamento e espírito de uma equipa, estão hoje a vista de todos, e a comunicação social dá conta, por exemplo; de que os jogadores se voltaram a sentar numa única mesa, e não em grupos estanques, para compartilhar as suas refeições e momentos de descontração.

Outro fator a ter em conta é o rendimento de Cristiano Ronaldo, que simplesmente a 1129 (mil, cento e vinte e nove dias) dias (três anos) não marcava dois golos seguidos pela Selecção Nacional, e que mostrou uma alegria de jogar para o coletivo fora do comum.

A equipa; na sua generalidade teve uma entrega ao jogo fora do comum, e nem uns 15 a 20 minutos de clara falta de concentração no jogo contra a Islândia, vieram manchar a imagem geral. Aliás, o resultado final de 3 – 1 pecou por escasso, face ao futebol produzido, e a alguns pênaltis que ficaram por marcar pela simpática e muito gentil, em termos caseiros, equipa de arbitragem.

O resultado final, anterior, de 3 – 1 frente a Dinamarca relançou desde logo a Selecção no caminho de poder lutar pelo apuramento, tendo no entanto que ter em linha de conta que alguns dos adversários em presença não são pêra doce, e que a Noruega vai ser um osso muito duro de roer, que o digam por exemplo os selecionados italianos que; os tiveram que defrontar recentemente em fases de apuramento, e que tiveram que vestir o fato de macaco e trabalhar a bom trabalhar para os levar de vencidos.

O jogo crucial do Grupo – H vai ter lugar somente em Junho de 2011, quando Portugal receber a Noruega, num jogo do tudo ou nada, pois todos os resultados que não passem por uma vitória, de preferência por mais de 1 golo, vai significar um passaporte para ficar em casa.

A data agendada para este importante jogo, não é muito agradável em termos de calendário, significando um fim de época futebolistica, mas pode ser aproveitada por Paulo Bento para ir escolhendo jogadores e poder potenciar a equipa em termos de construção futura, embora esse jogo não possa ser encarado como um teste de experiências, mas sim de total entrega e definição acerca do futuro, pois um fracasso significara o inicio de novo ciclo de instabilidade.

A equipa técnica vai agora poder viver uns meses de lua de mel com os adeptos, e nem o jogo treino já agendado contra a forte campeã mundial Espanha pode servir para atormentar as mentes mais conturbadas acerca de resultados. Portugal ocupa, neste momento, a 2ª posição, provisoriamente diga-se, pois a Dinamarca tem um jogo a menos em relação a Portugal, e apesar da recente derrota com Portugal registra vantagem pontual direta caso conquiste os 3 pontos no jogo que tem em atraso, pois o empate e a derrota inicias da Selecção Portuguesa na fase de apuramento, foram cruciais para essa desvantagem pontual atual.

Neste meio tempo que medeia entre o dia de hoje e o dia 4 de Junho, a FPF vai sofrer algumas mutações diretivas, ou quem sabe; não acontecer rigorosamente nada, e isso pode indiretamente vir a ser determinante no futuro do selecionador e da própria equipa, mas mais importante que o destino diretivo da FPF é neste momento o apasiguar de ânimos entre a Selecção e os adeptos, e contra isso nenhum novo elenco diretivo da FPF vai por certo levantar ondas de perturbação.

Alguns pensadores mais conservadores do futebol nacional, consideram praticamente certa a manutenção de Madail a frente dos destinos da FPF, uma vez que a sua ambição de realizar o Mundial conjuntamente com a Espanha, significaria um passo enorme na sua ambição pessoal de ascensão a altos cargos da UEFA ou quem sabe até da própria FIFA. Uma saída de cena neste momento significaria o deitar por terra de todo o seu trabalho de promoção pessoal, deixando a luz dos holofotes para outras figuras.

Por outro lado; a guerra política pela manutenção do domínio da FPF é determinante acerca do seu futuro diretivo, atendendo a importância do cargo, o Partido Socialista já imagina poder lançar uma candidatura populista de Luis Figo.

Do lado do Partido Social Democrata, caso Madail decida sair de cena, surge o nome de Fernando Seara, que obviamente ira contar com o forte apoio clubistico do S. L. Benfica.

Do norte surge a candidatura de Vitor Baia, que contara com o aparente apoio de Pinto da Costa e do Futebol Clube do Porto e de outros clubes nortenhos, sendo que politicamente seria uma candidatura algo anacrônica em termos de domínio extra desportivo.

Podem perguntar, e muito bem, quem afinal levara vantagem nesta triologia que afinal é hoje ainda um quarteto de candidatos.

Eu tenho para mim que; Madail vai aguardar até ao ultimo momento para se decidir, e o resultado da candidatura conjunta de Portugal e Espanha a organização do Mundial será determinante em relação a sua decisão de futuro. Embora esteja mais do que desgastada a sua imagem de consumo interno, ele esta empedernido no poder da FPF e vai ter que ser autenticamente detonado para sair, pois de livre vontade não vejo que possa entregar as chaves da Praça da Alegria a um sucessor que não seja ele próprio.

Fernando Seara é namorado pelas altas esferas do Partido Social Democrata, e ao mesmo tempo pelo S. L. Benfica, que olham para ele como uma possibilidade de no caso dos primeiros manterem o poder, e no caso concreto dos segundos de se chegarem diretamente ao poder e daí retirar os necessários dividendos diretos e indiretos. É sem duvida um candidato muito forte que conta com apoios inclusivamente de figuras do Sporting Clube de Portugal, mas não creio que consiga fazer frente, em termos vitoriosos, a uma potencial candidatura do tipo Luis Figo, que por certo iria congregar muitos apoios em vários setores desportivos e políticos nomeadamente no interior do Partido Socialista que não vai esquecer o apoio do ex-internacional a candidatura de Sócrates, e como bem sabemos não existem almoços grátis em política.

Já a candidatura de Vitor Baia pode significar o surgimento de uma chamada terceira via, com fortes apoios a Norte do País, e com manifestas possibilidades de poder fazer sombra a qualquer um dos adversários potencialmente disponíveis, uma vez que pode ainda reunir alguns descontentes do Centro e Sul, para além de ter a partida o apoio do mundo universal pintista.

Não me parece que; caso Madail decida manter a “gamela” do poder, nas suas mãos, qualquer um destes pré-candidatos tenha disponibilidade para se colocar na linha de fogo, pois os jogos de bastidores em termos de votos ainda beneficiam sobremaneira uma candidatura de continuidade, e muito provavelmente será candidatura única, a não ser que alguém decida afrontar o poder instituído de um modo acintoso, o que para mim seria surpreendente e com manifestos riscos de suicídio.

As próximas semanas vão ser cruciais para se ter uma imagem real das diversas possibilidades, e não deixar de sentir as capacidades de cada pré-candidato, bem como o destino de Madail, esse sim um fator determinante.

No próximo fim de semana teremos Taça de Portugal, e o forte poder do futebol não vai parar de fazer girar a bola por esses relvados nacionais, desejando o signatário que se possam ter bons espetáculos, arbitragens sem sectarismo e com total limpidez, e que todos possam tentar ser felizes.

Para contentamento de alguns leitores compulsivos, e tal como tinha prometido, escrevi hoje uma crônica levezinha…

Até para a semana!!!

João Massapina

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