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Futebol / A magia de Conte

A magia de Conte

A perder por três bolas a zero contra o Arsenal de Arsene Wenger, Antonio Conte decidiu mudar de formação nos restantes 25 minutos de jogo, transformando o seu 4-1-4-1 num 3-4-3 quando retirou Cesc Fàbregas e colocou em jogo o recém-chegado Marcos Alonso na esquerda do seu meio campo, mudança que inspirou o Chelsea, colocando os Blues como lideres isolados da EPL.

Olhando um pouco mais profundamente no sistema tático que faz magia em Stamford Bridge, vemos que a formação dos Blues é mais um 3-4-2-1. O defesa centro David Luiz consegue transportar a bola até ao meio campo em processo ofensivo ou recuar no terreno e tentar intercetar bolas longas colocadas em profundidade, os alas Marcos Alonso e Victor Moses avançam no terreno pressionando os laterais adversários negando espaço e criando uma superioridade numérica no meio campo ofensivo, permitindo aos avançados interiores Eden Hazard e Pedro ocuparem o espaço entre o defesa central e o lateral. Alternativamente, os alas também podem cortar para dentro, trocando de posição com os avançados interiores, sendo isto basicamente uma troca de posição na integra, mas o ponto em comum é Diego Costa, um dos melhores avançados na EPL, que realiza um função de avançado defensivo, procurando pressionar e negar espaço aos centrais da equipa adversária, dificultando a progressão ofensiva. Isto permite ao Chelsea contar sempre com um jogador a mais: mesmo que um centrocampista adversário desça para auxiliar no processo ofensivo, N’Golo Kante ou Nemanja Matic avançam no terreno para compensar.

Defensivamente continua a ser uma formação bastante sólida, especialmente contra os sistemas táticos mais usados na EPL neste momento, sendo estes o 4-3-3 e o 4-3-2-1. Talvez seja esta a razão pela qual Antonio Conte e os Blues tenham encontrado tanto sucesso com esta formação. Para entender o porquê do sistema de Conte funcionar tão bem contra estes dois sistemas temos que primeiro perceber qual o principal objetivo em processos ofensivos dos mesmo, sendo que os dois sistemas usam por norma avançados interiores nas extremidades ofensivas cujo objetivo é cortar para dentro abrindo espaço para os laterais respetivos avançarem no terreno e colocar a bola na área.

Movimentos de pressão

O porquê de o sistema do Chelsea funcionar tão bem contra os acima mencionados deve-se ao posicionamento de Marcos Alonso e Victor Moses que podem desempenhar uma de duas funções dependendo do que se pede dos mesmos em cada altura: podem pressionar o lateral aquando do início da transição ofensiva ou seguir o avançado interior quando o mesmo faz o movimento diagonal para o coração da defesa, com o uso de três defesas centrais o Chelsea volta a ter superioridade numérica na sua organização defensiva permitindo a um defesa central intercetar um passe, ou subir no terreno e pressionar o médio criativo da equipa adversária. Isto permite uma imensa liberdade aos dois médios do Chelsea N’golo Kante e Nemanja Matic para deambularem e procurarem a interceção de passes forçados devido à pressão.

Sumariando, o Chelsea aquando de processos ofensivos transforma o seu 3-4-3 numa variante, quase semelhante a um 2-5-3, permitindo a David Luiz transportar a bola até ao meio campo e aos alas Marcos Alonso e Victor Moses avançarem no terreno criando espaço. Defensivamente os Blues, voltam a transformar a sua formação original num 5-2-3 permitindo uma superioridade numérica criando pressão e obrigando uma circulação de bola fraca da equipa adversária.

O uso deste sistema permitiu a equipa Londrina isolar-se no topo da EPL e disfrutar de uma série de vitórias impressionantes, até que o Chelsea de Antonio Conte enfrentou o Tottenham de Mauricio Pochettino, partida que acabou com a derrota e consequente quebra da série de vitórias do Chelsea por duas bolas a zero, Mauricio Pochettino dispôs a sua equipa numa formação parecida com a do Chelsea, sendo que o Tottenham alinhou num 3-4-2-1. Mas o ponto que pareceu destabilizar a organização defensiva do Chelsea foi o uso de Kyle Walker e Danny Rose como Alas: o Tottenham aquando de processos ofensivos em algo próximo a um 4-3-1-1-1, com Danny Rose e Kyle Walker a progredirem no terreno, Dele Alli a encostar ao ponta-de-lança Harry Kane e Christian Eriksen a jogar um pouco mais atrás de Alli. A velocidade de Walker foi uma problemática, sendo que Marcos Alonso não a conseguia acompanhar. Consequentemente Nemanja Matic tinha de encostar mais na Ala esquerda para negar espaço a Walker, mas abrindo espaço a Eriksen que disfrutava de um enorme vazio no meio campo dos Blues, assistindo para dois golos de Dele Alli que deram a vitória aos Spurs e quebraram a imbatível série imbátivel dos Blues.

 

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