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O Blog do Futebol em Portugal

Futebol / Coincidências

Coincidências

Este artigo é de opinião pessoal e não traduz necessariamente a opinião do Futebol Portugal. A responsabilidade é exclusivamente do autor.

Numa altura em que se tem falado muito em hacks e invasão de privacidade pelo mundo, principalmente nos Estados Unidos da América, após a eleição presidencial que ditou a vitória de Donald J. Trump, quero deixar uma nota prévia: sou contra qualquer tipo de invasão de privacidade e divulgação de documentos confidenciais – não quer isto dizer que não defenda maior transparência. De qualquer forma, uma vez que os documentos são divulgados, não chega ignorá-los (foi este o erro de Hillary Clinton, que nunca mencionou os e-mails). Era preciso explicar o que se passava. Este é o meu ponto de vista, seja para os documentos do DNC (Democratic National Committee), seja para as escutas do processo Apito Dourado (pena ter-se ficado por Leiria).

Posto isto, o Football Leaks revelou uns documentos “fortes” que afetam o FC Porto. A imprensa, obviamente, deu o devido destaque e conduziu uma investigação e deu cobertura ao que se passava. O quê, não ouviram nada? Nem menções? Basta irem aqui e aqui. Esperem, foi a imprensa francesa que conduziu a investigação. Mea culpa por esperar mais da imprensa portuguesa (se bem que, verdade seja dita, fico admirado como é que o CM não fez capa de um assunto que afeta o FC Porto).

Chidozie, um dos nigerianos da equipa

Recentemente, numa entrevista que vi com todo o cuidado, o presidente do FC Porto confessou que “Rui Pedro só está no FC Porto em virtude da empresa onde Alexandre Pinto da Costa era sócio”. Antes de avançar, quero só deixa uma citação de Bernardino Barros, comentador da Rádio 5: “[Rui Pedro não renovou enquanto] não assinou por quem eles queriam”. Quem são eles? Gostaria de dizer, mas não possuo o contrato de Rui Pedro. Mas sabemos algumas coisas, nomeadamente que, após 10 jogos de participação do jovem talento, Alexandre Pinto da Costa lucra 100.000 euros. Coisa pouca. Pior, como questiona, e bem, a publicação, fica a dúvida se Nuno tem pressões para jogar com o Rui Pedro em detrimento de x ou y. Se calhar, terá as mesmas pressões que teve para não usar Brahimi (e ver um FC Porto com Brahimi é diferente de ver um sem o argelino – no último jogo [FC Porto 2-1 Marítimo], está envolvido em dois golos e criou o melhor do FC Porto nesse jogo).

Depois, na mesma investigação, surge a RAMP, uma empresa sediada em Hong Kong, que assinou contrato com o FC Porto, em 2012, com o objetivo de trazer talentos de países africanos, como Gana, Nigéria, Zâmbia e África do Sul (está tudo no primeiro link da investigação). A parceria celebrada em 2012 custou 18.000 euros e a RAMP ficou, até ao ano passado, com 25% do passe do jogador. No meio de tanta informação para assimilar, junto ainda mais uma. Fidelis, ex-FC Porto (quem?), nigeriano, joga agora no Portimonense. O FC Porto tem feito negócios com o Portimonense, principalmente envolvendo a troca de nigerianos, tendo ainda contratações curiosas, nomeadamente o Danilo via Portimão. Tudo coincidências, por certo. Mas ainda não é tudo.  Depois da partilha de passes, o FC Porto passou a pagar 75.000€ à referida sociedade por cada 5 jogos que o jogador fizesse na equipa B, o que, de novo, levanta questões. Há quem jogue por capacidade ou por interesses? Talvez o Mbola (quem?), que fez 5 jogos pela B, responda. Finalmente, a investigação também confirma a zanga entre o empresário de Atsu e o FC Porto, atirando um novo dado para a mesa: o empresário ameaçou contar tudo da RAMP. Pouco depois, Atsu saiu, como pretendido pelo seu agente. Coincidências… mais uma.

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