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Futebol / Copa América: as confirmações, as surpresas e as desilusões

Copa América: as confirmações, as surpresas e as desilusões

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Chegou ao fim mais uma Copa América, e o Futebol Portugal, obviamente, não poderia deixar de fazer um balanço da edição 44 da mais antiga prova de selecções do futebol mundial.

Valias que se confirmaram

Assim, e iniciando as conclusões a retirar da competição disputada no Chile, sobram elogios para a selecção anfitriã, especialmente para o homem que a comanda desde 2012: Jorge Sampaoli. Mais do que ostentar sucessos e resultados, o argentino que ontem ‘atraiçoou’ o país de origem pode perfeitamente dar-se ao luxo de ter nos jogadores que domina, verdadeiras extensões da sua influência. Quem investir algum tempo a observar expressões e comportamentos de Sampaoli, facilmente perceberá que Medel, Francisco Silva, Marcelo Diaz, Alexis ou Vidal correm à medida do tresloucado caminhar de quem os lidera a partir do banco. Centro-campistas que viram defesas, avançados que viram centro-campistas, extremos que viram laterais e vice-versa, enfim, sucedem-se as mutações e as correrias neste Chile. O tal Chile que é hoje de Sampaoli, o homem que nem por segundos é capaz de sossegar. O mesmo homem que esperneia, reclama, aplaude e anda que se farta, quase ininterruptamente, para trás e para a frente, à moda de Bielsa – o ídolo de Sampaoli -, para uns tantos o real criador da selecção chilena tal como hoje a conhecemos.

Seguindo no campo das confirmações, nota para um chileno e para um peruano: Jorge Valdivia e Paolo Guerrero. Se o imprevisível Valdivia é garantia de espectáculo, Guerrero parece tão talhado para os golos, que nem Vargas lhe retirou a segunda coroação consecutiva como máximo goleador de Copa América. Aparentemente tão diferentes, mas de qualidade pouco discutível, chileno e peruano mereceriam mais. Sobretudo melhores carreiras. Percursos que não os atirassem, durante anos a mais, para ligas de competitividade discutível. Mas nada feito. Depois de temporadas a fio no Palmeiras, Valdivia seguirá caminho para os Emirados Árabes Unidos. Chegado ao Brasil em 2012, Guerrero virou ídolo e campeão do mundo no Corinthians. Do ‘Timão’ saiu, porém, sem que isso signifique ver o peruano noutras paragens. Segue-se o Flamengo para o rapaz que um dia ‘actuou’ pelo Bayern de Munique.

A finalizar, Dunga e a selecção brasileira. Será no mínimo questionável ter como surpreendente mais um fracasso da canarinha. Talvez o desaire diante do Paraguai tenha servido para afirmar a qualidade que se perdeu ao longo de anos. Recordar craques intemporais, mas tão recentes, como Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Adriano ou Kaká roçará hoje a brincadeira, até quando se percebe a actual influência desmedida de Neymar. De resto, ainda mais perto parecem estar os insucessos com Dunga a comandar. Jogador de referência, mas treinador com capacidades por comprovar, o brasileiro de 51 anos não estará longe de alcançar ‘feitos’ e insucessos atingíveis por Scolari ou Mano Meneses.

Quem mais surpreendeu

Selecção do Perú, Carlos Ascues, Christian Cueva e Jeison Murillo. Muitos ririam se, à partida, se aventasse a hipótese de imaginar a selecção peruana num 3.º posto da competição organizada no Chile. Certo é, porém, que o Perú chega ao final deixando ‘água na boca’, tão bem conseguidas foram as actuações. Actuações bem conseguidas, admita-se, por culpa do seleccionador Gareca, obviamente por via dos golos de Guerrero, por culpa da força e explosão de Farfán ou Advíncula, seguramente por intermédio das performances de Ascues e Cueva. O primeiro, convém sempre lembrar, passou pela formação secundária do Benfica, em 2012/2013. Fez 22 jogos, provavelmente nenhum deles tão bom como qualquer uma das prestações arrancadas durante as semanas de Copa América. Actuando a defesa central, Ascues mostrou-se fortíssimo, rápido, praticamente insuperável. Já Cueva, não menos rápido, não menos forte, mostrou alguns dos mais interessantes pormenores que se viram, embora mais adiante no terreno. Apresentou-se marcando, logo no jogo de estreia, frente ao Brasil, e não mais saiu do leque de jogadores a acompanhar.

Ao contrário do que acontece com os nomes acima enumerados, não são assim tão estranhos os ares europeus para Jeison Murillo. Chegado ao Granada em 2010/2011, por lá se manteve até à última temporada. De contrato entretanto firmado com o Inter de Milão, o colombiano teve desde 14 de Junho um novíssimo desafio: a titularidade pela Colômbia numa grande competição. E Jeison cumpriu, excelentemente até. Ao ponto de se ter tornado no marcador do único golo da sua selecção, na prova. Facilidade no desarme, força e velocidade são apenas algumas das qualidades de mais um colombiano a quem será fácil prever um futuro risonho. No esquecimento, entretanto, vai ficando Mario Yepes.

 

As verdadeiras desilusões

Nada de especialmente bom poderá ser dito ou escrito sobre a prova realizada pela Colômbia. É verdade que o conjunto de Pekerman acaba coroado como a melhor defesa da competição – apenas 1 golo sofrido -, mas, no final de contas, maus agoiros trouxe a derrota da estreia, frente à Venezuela. Não obstante o triunfo arrancado perante o Brasil, nunca os colombianos mostraram competências já exibidas. Sem chama, sem qualidade de jogo, os cafeteros despediram-se com apenas um tento marcado. Culpados? José Pekerman, quem sabe.

Muito tem feito o argentino, na reconstrução de uma mais míticas selecções da América do Sul. Pouco fez, contudo, para evitar uma inglória eliminação. Por muito influentes que Jackson Martinez ou Carlos Bacca se tenham mostrado ao longo de 2014/2015, por F.C. Porto e Sevilha, respectivamente, nunca os dois avançados terão merecido tanta confiança como os mais indiscutíveis – para Pekerman – Teofilo Gutierrez e Radamel Falcao.

El Tigre bem pode ser, aliás, um caso a suscitar estudo. A época que se avizinha poderá tornar-se mesmo na mais essencial do percurso do goleador que encantava meio mundo há pouquíssimos anos. Hoje, não é raro ver Falcao desligado, fora de jogo, desmotivado. O mesmo aconteceu pelo Chile. Para o futuro, restará saber se o Chelsea, Mourinho e Diego Costa – com quem formou dupla de sucesso no Atlético de Madrid – conseguirão fazer regressar o melhor de Radamel. 

 

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