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Futebol / Depois do fecho dos mercados, o que mudou?

Depois do fecho dos mercados, o que mudou?

O último dia de agosto trouxe consigo o último dia em que as equipas portuguesas se podiam reforçar até ao final do ano (exceto em caso de contratação de jogadores sem contrato) pelo que importa perceber o que mudou nestas 24 horas que, a meu ver, foram menos surpreendentes e menos emotivas que o esperado, ficando mesmo no ar a sensação que faltou algo para deixar todo o país futebolístico de boca aberta. Entre entradas, saídas e permanências, veja como os 4 principais candidatos aos primeiros postos da classificação se encontram após esta data.

FC Porto – o campeão ficou mais forte mesmo sem entradas

Muitas foram as novelas em torno de muitos dos jogadores azuis e brancos mas, na verdade, a única saída de vulto do clube foi mesmo o lateral Álvaro Pereira (para o Inter de Milão) mas que, se atendermos ao fato de ter sido o FC Porto a querer a sua saída (precavendo-se antecipadamente com a chegada do internacional brasileiro Alex Sandro), não será por aí que o clube do Dragão ficará mais debilitado.

O FC Porto continua, com a espinha dorsal, reforçado pela chegada de Jackson Martínez para a frente de ataque, e a verdade é que os 4 jogadores mais cobiçados (Rolando, Fernando, João Moutinho e Hulk) ficam no Porto, pelo que os melhores reforços do FC Porto foram mesmo os que já faziam parte do plantel. Rolando, acabado de fazer 27 anos, nem tem sido opção para Vítor Pereira mas parece-nos que, terminada a especulação em torno da sua continuidade e até para não desvalorizar um ativo importante, é provável que, aos poucos, o internacional português volte a assumir um lugar de destaque no centro da defesa portista.

O médio Fernando, o menos falado esta temporada, foi, à semelhança da temporada passada, apontado como possível transferência mas a verdade é que o Polvo vai continuar no futebol português e a ser o suporte de todo o futebol do campeão nacional. Tem estado lesionado mas quando regressar será, certamente, uma enorme mais valia para Vítor Pereira, quer para o campeonato quer para a Liga dos Campeões. João Moutinho foi, talvez, o nome mais falado como possível reforço quer de Zenit quer, sobretudo, do Tottenham, mas a verdade é que o motor da equipa vai continuar a atuar em Portugal, tal como Hulk que vai continuar mais uma temporada em Portugal, com o FC Porto a apostar tudo numa boa campanha do brasileiro na Liga dos Campeões que leve os tubarões do futebol europeu a encher os cofres do clube de Pinto da Costa.

Benfica – mexer muito e… ficar mais fraco

O Benfica foi o clube português que mais animou os últimos dias de mercado, mas na verdade, a ideia que fica, é que o clube de Jorge Jesus foi o grande derrotado do dia 31 de agosto ao perder uma das principais referências da equipa (Javi Garcia) e a única entrada Lima vem para um lugar onde abundam as soluções.

Pior que isso, o Benfica não contratou, nem por empréstimo nem a título definitivo, nenhum lateral esquerdo o que, se no caso da Liga Portuguesa até poderá não ser muito preocupante, uma vez que o Benfica é uma equipa essencialmente atacante e raras vezes será incomodada pela inadaptação de Melgarejo (exceto equipas como FC Porto, Sporting Braga e Sporting que têm bons jogadores a alinhar pelas alas), nas competições europeias a história será outra e a não chegada de nenhum jogador para aquela posição poderá trazer muitos dissabores ao clube da Luz.

Se a questão do lateral esquerdo foi um problema que permaneceu (nem Eliseu, nem Sílvio), a questão de médio defensivo foi outra que se criou com a saída de Javi Garcia não acautelada pela entrada de outro jogador. A solução deverá passar por Matic ou até Carlos Martins cada um ao seu estilo, mas que o Benfica não será o mesmo e que a sua consistência defensiva vai ser fortemente atacada, não haverá grandes dúvidas. A solução encontrada pela direção benfiquista foi a chegada de Lima para uma posição onde já há Cardozo, Kardec e Rodrigo, pelo que não se compreende esta aquisição a não ser para enfraquecer a equipa bracarense ou para calar os adeptos mais distraídos. Para além disso, o Benfica ainda emprestou Djaló ao Toulouse, provando que esta foi, mais uma contratação falhada por Jorge Jesus, e permitindo que, finalmente, o jogador atue em França.

Sporting Braga – continuar a brilhar com os restos

O Sporting de Braga continua a sua gestão rigorosa e a aproveitar, da melhor maneira, aquilo que os três grandes não querem nos seus plantéis. Depois de Quim, Beto, Nuno André Coelho, Rúben Amorim, Rúben Micael, Custódio, Hugo Viana, Hélder Barbosa e Alan, é a vez de Michel, por empréstimo do Benfica, ter a missão de fazer esquecer Lima que seguiu o caminho inverso mas a troco de 4.5 milhões de euros. Pelo que Michel mostrou a época passada em Paços de Ferreira e pela qualidade do futebol ofensivo do Sporting de Braga desta temporada (onde Lima não tinha marcado qualquer golo) arrisco a dizer que a equipa da Pedreira vai continuar a brilhar com os excedentários.

Sporting – ausência de entradas implica fraqueza na frente

O último dia de transferências foi marcado, em Alvalade, pela confirmação da saída do americano Onyewu quinta opção de Sá Pinto para o lugar e pela ausência de chegadas ao plantel, pelo que a frente de ataque fica entregue a Wolfswinkel e Viola, dois jogadores muito jovens e que terão de suportar as críticas que já começaram a surgir pela falta de eficácia do ataque leonino. Longe de ter um plantel fraco, os reforços que chegaram trouxeram efetivas mais-valias ao clube, a falta de um matador coloca o Sporting, claramente, numa segunda linha de candidatos ao título, longe de FC Porto e Benfica, os principais candidatos ao triunfo na Liga.

Assim sendo, as bases estão lançadas, o campeonato já arrancou e reforços, caso haja, só para Janeiro, portanto, agora é tempo de esquecer as aquisições fantásticas, os contratos milionários e arregaçar as mangas e começar a jogar. Que vença o melhor!

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