Register  /  Login

O Blog do Futebol em Portugal

Futebol / “Djurtus”: O sonho acabou… de começar

“Djurtus”: O sonho acabou… de começar

Festejos do primeiro golo de sempre na CAN

 

Chegar pela primeira vez a uma fase final da Taça das Nações Africanas (CAN) é um feito. Jogar de “olhos nos olhos” em todos os desafios desta competição é igualmente uma conquista. Caro leitor, eis a Guiné-Bissau, única seleção membro dos PALOP – Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa –  que marcou presença na edição deste ano do torneio mais importante de futebol em África.

 

Caminho desbravado com muito suor

Depois de ter deixado para trás na qualificação países como a Zâmbia (vencedora da CAN em 2012), o Congo (chegou aos quartos de final em 2015) e o Quénia (conta com cinco presenças em fases finais), os guineenses comandados por Baciro Candé representaram dignamente nesta competição toda a comunidade portuguesa espalhada pelo mundo.

Antes da partida para o Gabão (país organizador da prova), o selecionador encontrou algumas dificuldades pelo caminho como a recusa de alguns jogadores em representar a nação e a discordância em relação a prémios monetários entre atletas e federação. Contudo, o homem que substituiu o português Paulo Torres ainda na fase de apuramento mostrou ter a competência mais do que suficiente para construir uma equipa capaz de ombrear com qualquer congénere do seu continente.

 

Três bons jogos foram insuficientes 

Logo no primeiro encontro, os “Djurtus” (como é conhecida a formação guineense) em nada foram inferiores ao Gabão. Nesta que foi a partida de abertura do torneio, a Guiné-Bissau teve a capacidade de lutar até ao último minuto e empatar o encontro já em tempo de compensação. O nome de Juary Soares vai ficar cravado como o primeiro jogador de sempre a marcar por esta seleção numa CAN. Um dos capitães do grupo de trabalho, conjuntamente com Jonas Mendes e Bocundji Cá, Zezinho, foi considerado o homem do desafio.

Diante dos Camarões, Piqueti, com um golo que certamente será um dos candidatos a ser o melhor da competição, pôs um país inteiro a sonhar com uma possível vitória frente a um dos crónicos candidatos à conquista da prova. Porém, a maior eficácia e experiência do adversário ditaram a reviravolta no marcador e, consequentemente, a derrota do país lusófono.

Obrigados a vencer frente ao Burquina Faso para ainda acalentarem esperanças no apuramento para os quartos de final, os guineenses deram tudo para dar uma alegria ao seu povo. Mas, mais uma vez, a falta de pontaria e de maturidade competitiva voltaram a prevalecer. Os burquinenses, de Paulo Duarte, fizeram um golo no início do jogo e outro no princípio da segunda parte e, assim, acabaram com o sonho dos “Djurtus”.

 

Será que esse sonho acabou mesmo?

A verdade é que esta sua participação no grupo A da CAN foi a primeira da sua história como nação futebolística. Depois de se assistir a estas exibições, o futuro só pode ser risonho para uma nação que conta com apenas 1,6 milhões de pessoas, mas que mostrou um enorme apoio durante todos os jogos. Após esta boa experiência, o objetivo passa por tentar consolidar a Guiné-Bissau no panorama principal do futebol africano com mais qualificações para fases finais como esta. E chegar a um mundial a curto-médio prazo? Porque não?

 

O sonho acabou… de começar!

 

Comentar