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Futebol / É tempo de… Pressionar!

É tempo de… Pressionar!

Este artigo surge na sequência do jogo do FC Internazionale Milano x SSC Napoli. Com a chegada de Claudio Ranieri (que muito trabalho tem pela frente) perspectivava-se uma melhoria nesta equipa, nem que fosse somente pela alteração do técnico, que tem dentro do plantel, diga-se de passagem, qualidade suficiente para poder fazer a diferença contra qualquer equipa que defronte. O resultado foi de 0-3, e embora isso simbolize o que se passou na partida não é dele que quero falar.

As equipas italianas sempre foram conhecidas pela forma como defendem, C. Ranieri como qualquer outro Treinador Italiano, tem no sangue o gosto pelo processo defensivo, não está aqui implícita qualquer tipo de crítica, é uma questão cultural, o orgulho no “saber defender”!

Acompanhando a evolução do jogo, está em voga defender de forma zonal, é um meio de pensar o processo defensivo, com o qual concordo, mas para isso terão de se criar / adquirir princípios (mesmo em posse de bola) que sustentem este tipo de abordagem defensiva.

A atacar, o “Inter” fez um jogo desligado, partido, e que por consequência o levou a defender de igual modo. Defender bem, não significa ter o sector defensivo demasiadamente povoado, significa sim, através das situações que a aleatoriedade de jogo provoca (pela forma desorganizada como o abordaram), perceber como roubar jogo (tempo, espaço e… bola!) ao adversário. Há uma noção (na minha opinião errada) que defender o espaço (zona) diz respeito única e exclusivamente ao posicionamento sem bola, ao número de jogadores que ficam para trás da mesma, assim como, ao “respeito” das linhas e sua movimentação. Tudo isto está certo, se existir no entanto o factor mais importante da fase defensiva, a pressão!

A equipa de C. Ranieri sofreu os dois últimos golos (embora com um elemento a menos em campo) por isto mesmo, falta de pressão sobre a bola. A zona onde esta é efectuada pode retratar muito do jogar de uma equipa, mas este princípio é básico, o “condicionar do adversário”. A pressão, não tem só o condão de impedir a progressão individual, é também uma forma de retirar referências colectivas (diminuir a qualidade de decisão, fechar linhas de passe, conduzir jogo adversário para zonas “mortas”), coisa que o “Inter” não fez, basta para isso observar os referidos golos sofridos neste jogo. A palavra pressionar ganha outra dimensão quando se pensa na tomada de decisão adversária, não é só o espaço que é pressionado, e sim, também, o (s) jogadores (s) que nele se situam, a alteração constante de atitude sobre a bola condiciona o favorável centro de jogo para quem ataca, confunde, desajusta comportamentos anteriormente previstos, leva ao erro, senão ao perder da bola, pelo menos ao retardar do ataque ou a más decisões que o tornam inconsequente. Agregando a tudo isso, um mau comportamento da ultima linha, fixada em acompanhar movimentos de ruptura, e não a encurtar espaço ou aumenta-lo em relação à bola (comportamento que varia com o tipo de organização que se pretende), significa por si só, o aumento qualitativo de quem ataca. Quando se verificam todos estes factos, ainda por cima em superioridade numérica, é uma clara indicação que algo está mal!

Defender de forma zonal… sim! Mas fazê-lo de um modo expectante, é “dar boleia” a quem tem bola.

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