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Futebol / ‘Efeito Conte’ faz-se sentir em Stamford Bridge

‘Efeito Conte’ faz-se sentir em Stamford Bridge

Pré-leitura: Este é um artigo de opinião que exprime um ponto de vista pelo qual assumo toda a responsabilidade, não correspondendo necessariamente à opinião do Futebol Portugal.

Chelsea's Italian head coach Antonio Conte celebrates with supporters after Chelsea's Brazilian-born Spanish striker Diego Costa scores their late winning goal during the English Premier League football match between Chelsea and West Ham United at Stamford Bridge in London on August 15, 2016. Chelsea won the game 2-1. / AFP / Ian KINGTON / RESTRICTED TO EDITORIAL USE. No use with unauthorized audio, video, data, fixture lists, club/league logos or 'live' services. Online in-match use limited to 75 images, no video emulation. No use in betting, games or single club/league/player publications. / (Photo credit should read IAN KINGTON/AFP/Getty Images)

Antonio Conte é mundialmente conhecido pela paixão com que vive o futebol

Após uma temporada 2015/2016 para esquecer protagonizada pelo Chelsea, Roman Abramovich escolheu Antonio Conte para suceder a Guus Hiddink no comando dos Blues, isto depois de o técnico holandês ter dirigido os londrinos na segunda metade da temporada transata, substituindo um José Mourinho que não chegou ao Natal. Esta escolha gerou grande dúvida e uma expetativa ainda maior entre a massa associativa do clube que atua em Stamford Bridge, mas a verdade é que, após cerca de dois meses e meio de Premier League, Antonio Conte vai começando a provar que foi a escolha certa para conduzir um emblema de tamanhas ambições.

Conhecido pelo estilo de jogo agressivo, pelo grande espírito de entreajuda e pelo rigor defensivo que consegue implementar nas suas equipas, Conte é um dos raros casos em que um grande jogador se transformou num treinador igualmente bom. Desde a subida à Serie A com o Bari em 2009, até ao Campeonato da Europa de 2016 bastante razoável enquanto selecionador da seleção italiana, passando ainda pelo tricampeonato na Juventus, são, de facto, já muitos os sucessos deste técnico numa carreira ainda tão curta.

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Conte chega a Stamford Bridge com provas dadas em Itália

Se sempre fui um admirador confesso das qualidades de Antonio Conte – ainda que nem sempre tenha concordado com as suas decisões – devo também admitir que tive mesmo grandes dúvidas acerca da sua capacidade para colocar um plantel com tantos egos a jogar de forma tão empenhada, resoluta e unida. Desde aquela equipa que quase parecia jogar mal só para se ver livre de Mourinho até ao Chelsea atual vai, sem dúvida, uma grande distância. Hoje, os Blues são uma equipa com um coletivo significativamente superior, muito graças aos ideais do seu treinador, que trabalha os seus conjuntos no sentido de estes serem a representação fidedigna de toda a paixão e entrega que fizeram dele um futebolista tão especial.

Para além de ter revolucionado por completo a nuance da filosofia de jogo do Chelsea, o ex-selecionador italiano tem sabido fazer algo que se tem revelado determinante e que tem a ver com aquilo a que se pode chamar de igualdade de tratamento entre os vários jogadores do plantel. O que quero com esta ideia salientar é que Antonio Conte não tem colocado em campo determinados jogadores uma vez que o seu estatuto assim o exige, mas antes porque são aqueles que estão em melhor forma e que se enquadram melhor naquilo que se pretende para cada posição. De facto, esta questão tem permitido a ascensão e consequente afirmação de jogadores como Victor Moses ou até Marcos Alonso que, se eram eventualmente vistos pelos adeptos no início da temporada como jogadores de rotação, hoje se assumem como elementos fundamentais no esquema da sua equipa.

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Victor Moses tem sido uma agradável surpresa deste Chelsea de Conte

Ocupando atualmente o quarto posto da tabela classificativa, a apenas um ponto do trio da frente, composto por Manchester City, Arsenal e Liverpool, este Chelsea demorou poucas semanas até começar a dar cartas. Efetivamente, depois de algumas jornadas marcadas pela indecisão relativamente à formação a utilizar, Antonio Conte estabilizou, por fim, no 3-4-3 – uma variante do famoso 3-5-2 que implementou na Juventus -, que se encontra diretamente associado à chegada do internacional brasileiro David Luiz para o eixo da defesa, tendo-o utilizado em quatro partidas, marcado 11 golos e sofrido… zero!

Para este início de época promissor, tem contribuído também o ressurgimento em grande estilo de jogadores como Diego Costa, Nemanja Matić ou, ainda com maior evidência, Eden Hazard, que têm sido autores de grandes exibições. Também neste caso, julgo haver a mão de Conte, que, a meu ver, tem sabido motivar alguns atletas que andaram desaparecidos por muito tempo e que começam agora a surgir em enquadramentos novos para eles, os quais permitem que estes coloquem todo o seu potencial ao serviço do coletivo, maximizando as suas virtudes e atenuando os efeitos das suas fraquezas.

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Diego Costa parece ter renascido com Conte ao comando

Como se pode concluir pelo exposto anteriormente, Antonio Conte é o treinador certo na altura certa para este Chelsea, não só porque tem ajudado a sarar as feridas que se abriram na época passada no plantel e porque conseguiu criar um conjunto vencedor em pouco tempo, mas também porque encontrou um modelo que favorece as qualidades de cada jogador e que minimiza as suas debilidades.

Evidentemente, não se sabe por quanto tempo esta dinâmica positiva se irá manter. Ainda assim, analisando o panorama atual, o Chelsea é, a meu ver, um dos grandes candidatos à conquista da Premier League. Veremos que surpresas nos reserva o resto da temporada.

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Antonio Conte tem feito tudo aquilo que está ao seu alcance para recolocar o Chelsea no caminho das conquistas

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