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Futebol / Entrevista a Fábio Barros – “Na Grécia encontrei condições que dificilmente conseguiria encontrar em Portugal”

Entrevista a Fábio Barros – “Na Grécia encontrei condições que dificilmente conseguiria encontrar em Portugal”

Nascido a 1 de Abril de 1987, em Gens (Gondomar), foi no clube da sua terra que a dar os primeiros toques na bola! Começou no Gondomar nas escolinhas em 1997 e só saiu do Gondomar em 2007/2008 para o clube grego do Asteras, depois da Grécia o defesa atuou na Primeira Divisão Cipriota, no Beira-Mar onde foi campeão da segunda liga, na Sanjoanense e atualmente é jogador e treinador dos infantis do Anadia.

Fábio, diz-nos, o GD Gondomar foi fundamental para o teu desenvolvimento, achas que os 13 anos que estiveste na equipa da tua terra te levou a ser grande jogador?

Sim foi fundamental sem dúvida.  A pessoa formada que sou devo muito ao Gondomar SC. Foi lá que aprendi muito daquilo que sei hoje.

Com apenas 21 anos saiste da tua zona de conforto pela primeira vez para rumar ao Asteras da Grécia. O que te levou a fazer esta mudança?

Essa última época no Gondomar SC (2 ª Liga) foi muito boa a nível individual e fez com que surgi-se várias propostas. Optei pela Grécia, mais concretamente o Asteras Tripolis, visto que o treinador naquela altura era o Mister Carlos Carvalhal, e iria ter a oportunidade de me adaptar mais fácil a novas exigências.

Contudo, a experiência na Grécia não foi a melhor, o que falhou? Quais eram as condições que te eram dadas na Grécia?

Na Grécia encontrei condições que dificilmente conseguiria encontrar em Portugal. Um excelente salário, carro, casa e alimentação paga. Eu era um jogador desconhecido, sem currículo. Fui claramente uma aposta do Mister Carlos Carvalhal. Eu era uma aposta de futuro e não do presente ( embora pudesse acontecer ). Infelizmente o técnico saiu antes de Dezembro, mas para felicidade minha o técnico novo apostou em mim. Logo em casa do histórico Panathinaikos. A partir dai pensei que melhores dias viriam, mas foi sol de pouca dura. Depois da passagem de ano fui associado a um empréstimo ao Rio Ave e desde dessa altura deixei de fazer parte das opções e comecei a ser encostado. Não sei se foi coincidência ou se foi por causa dessas noticias, mas a partir daí senti muita indiferença para comigo. Chegou o fim da época, com a promessa do meu empresário da altura de um bom clube para mim rescindi contrato e vim embora.

No ano seguinte, regressas a Portugal para fazer uma uma boa época pelo Beira-Mar. A equipa aurinegra sagrou-se campeã da Segunda Liga e subiu ao primeiro escalão do futebol português. Depois da experiência falhada na Grécia achas que este momento foi um balanço na tua carreira?

Inicialmente não era para o Beira-Mar que regressaria, a promessa que estava tudo tratado era com uma equipa de primeira liga. No entanto foi um ano incrível. Tive um grupo no balneário de amigos, momentos fantásticos, um treinador que só o seu trabalho fala por si, Leonardo Jardim, e claro que tinha que acabar em beleza com o Título Nacional de 2ª Liga. Infelizmente não joguei tanto quanto o desejaria mas foi o possível. Um lesão à 2ªJornada fez-me perder a titularidade. Depois quase 2 meses parado quando regressei o “comboio” seguia muito forte e com a qualidade que tínhamos na equipa foi complicado recuperar. Mas foi um ano marcante.

Fabeta, como é conhecido, na sua antiga equipa. (Sanjoanense)

Em 2015, representas-te a Sanjoanense, numa época que se pode avaliar positiva, a equipa de São João da Madeira só não foi à Fase de Subida por apenas dois pontos. Como avalias a temporada passada? Objetivo cumprido ou faltou algo mais?

O objetivo foi cumprido. O que foi inicialmente proposto era garantir com estabilidade a equipa no CNS. Claro que depois de uma pré-época fantástica e de “descobrir” o potencial da equipa tudo se tornou muito ambicioso. Mas não nós podemos esquecer que era uma equipa demasiadamente jovem. Lutamos pelos dois lugares que nos dariam a fase de subida e o nosso objetivo ficava automaticamente concretizado em Janeiro. Infelizmente não conseguimos nessa altura mas conseguimos mais tarde de uma forma confortável a manutenção. Por isso, só tenho a dizer que o objetivo principal ficou cumprido embora para nós , jogadores, tenha sido uma frustração não teremos jogado a fase de subida. Com a qualidade toda que apresentámos ao longo da época, sem dúvida que seriamos uma mais valia na fase de subida.

Já na presente época, mudas-te para o Anadia. O que levou a vir para os Trevos? Com apenas duas jornadas em falta, e estás novamente a a um ponto da zona de subida. Sentes que pode acontecer-te o que te aconteceu na época passada com a Sanjoanense?

Não posso esconder, porque sempre fui honesto, que por mim continuava na Sanjoanense. Fui muito bem acolhido e adorava lá estar. Infelizmente, não foi possível a minha continuação e tive que optar pelas proposta que tive. Optei pelo o Anadia porque desde que terminou a época demonstrou muito interesse em mim aliado ao projeto do clube a curto prazo e as condições que me deram. Para além disso, propuseram-me treinar uma equipa de formação, para fazer o meu estágio de primeiro nível. Verdade, estamos a 1 ponto do 2º classificado e faltam jogar 2 jogos. Acredito que conseguiremos o 2ºLugar, mas para isso teremos sempre que fazer o nosso. Infelizmente, vou para o terceiro ano consecutivo em que irei para os 2 ultimos jogos a lutar pela fase de manutenção. Nenhum deles consegui, espero que a terceira seja de vez.

Para além de te tornares jogador da equipa sénior do Anadia, tornas-te também treinador dos infantis dos Trevos. Sentias-te preparado para assumir esse cargo? Como está a ser a experiência?

Ano passado tive a treinar o primeiro nivel de treinadores, deu para preparar algo para iniciar esta aventura. Contudo só o tempo me fará mostrar se estava ou não preparado, embora quando aceitei o cargo me sentia e sinto confiante das minhas capacidades. A experiência está a ser fantástica. Nunca passei pelo o futebol de 7, na minha idade era de 11 e até ao inicio desta época não tinha qualquer experiência ou até conhecimento de futebol de 7. Tive algum receio de não gostar por não estar habituado e o que adoro mesmo é futebol de 11. Mas foi tudo uma questão de tempo, passado 2 semanas já estava fascinado e agora sinto-me completamente feliz por estar a treinar o futebol de 7. Devemos começar por baixo e dar um passo de cada vez e é exatamente isso que está acontecer.

Com 29 anos, já passaste por vários momentos na tua vida, qual é aquele que recordas com mais orgulho e aquele que relembras com maior tristeza?

Com orgulho e com tristezas tive vários, o futebol é isto mesmo dá-nos constantemente alegrias, tristezas, deixa-nos com orgulho e deixa-nos com arrependimentos. Orgulho, o título de campeão Nacional com o Beira-Mar. Saber que aquele título também tem o meu suor, empenho e dedicação deixa-me muito orgulhoso. Fico na história. Com maior tristeza tenho duas coisas, mas destacarei o primeiro por ter acontecido no meu pais. A maneira como fui tratado no Santa Clara. Algo que não gosto de falar, nem divulgar mas que jamais me posso esquecer.

Num momento em que a arbitragem é muito criticada, que balanço fazes aos árbitros nacionais?

Estamos a atravessar uma fase que os adeptos em geral criticam as arbitragem aos mínimos erros. Todos querem arbitragens iguais à liga Inglesa mas depois durante o jogo se o arbitro deixar jogar e não marcar pequenas faltas são logo contestados. Os árbitros como qualquer pessoa quando são super pressionados ficam mais expostos aos erros. No entanto, também temos assistido a erros que não deveriam de acontecer. Os árbitros também tem formação e treinam durante a semana para estarem no seu melhor no dia de jogo, embora não signifique que irão estar sempre certos porque existe lances de difícil analise e só com repetições de vários ângulos e slow motion é que temos mais certezas (mas as vezes ainda existe discórdia).

Que objetivos tens a curto/médio prazo?
Aquele objetivo que tenho a curto prazo, 2 semanas , é apurar-me para a fase final do Campeonato Prio. Seria óptimo a nossa equipa disputar a fase final, assim como no ano passado, temos equipa para dar qualidade e praticar bons espectáculos. Num curto prazo maior que 2 semanas, gostaria de voltar ao campeonato profissional e até mesmo voltar a sagrar-me campeão, quanto mais não seja no Campeonato Portugal Prio. A longo prazo, gostaria que quando termina-se a carreira de jogador ter um lugar como treinador numa equipa sénior e começar o meu caminho como treinador.

 

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