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Futebol / Entrevista a Patrícia Morais – “Sonho vencer a Bola de Ouro”

Entrevista a Patrícia Morais – “Sonho vencer a Bola de Ouro”

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Patrícia Morais representa o Sporting desde o início da presente temporada

Futebol Portugal esteve à conversa com Patrícia Morais, guarda-redes internacional portuguesa já por 38 vezes com apenas 24 primaveras completadas. Atualmente a jogar pelo Sporting Clube de Portugal, a atleta almeja grandes conquistas, estando bem ciente do quão arduamente terá de trabalhar para alcançar o sucesso. Sendo apontada como uma das mais promissoras futebolistas lusas desta geração, esta campeã descreve-se como uma pessoa «muito ambiciosa», sonhando um dia chegar ao topo do futebol mundial.

Futebol Portugal: Antes de mais, gostaria de te agradecer em nome de toda a equipa do Futebol Portugal a gentileza em concederes-nos esta entrevista. Para começar, gostaria que nos falasses um pouco da forma como decorreram os trabalhos nesta fase de qualificação.

Correu normalmente… Sabíamos que tínhamos de trabalhar bem e estar focadas no objetivo que tínhamos, estivemos sempre sérias e sentíamos que podíamos chegar ao europeu.

Futebol Portugal: Não sendo o historial da nossa seleção propriamente favorável, o que vos fez verdadeiramente acreditar que poderiam chegar, pela primeira vez, à fase final do Campeonato da Europa, mesmo conhecendo o potencial das outras seleções?

O nosso grupo de trabalho esteve sempre unido e confiávamos muito umas nas outras. Sentia união entre todas, fomos uma verdadeira equipa e, jogando “à Portugal”, sabíamos que dificilmente alguém conseguiria parar-nos. Do lado da Roménia, era evidente que elas nos subestimavam e que sentiam que eram melhores que nós, aliás, como diziam aos jornais. Quando soubemos disso, ganhámos ainda mais força. Este foi o pior erro da Roménia, na medida em que nunca se deve desvalorizar o adversário. Tivemos sempre respeito e humildade por e com elas, dentro e fora das quatro linhas, e fomos felizes.

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Depois do apito final do jogo frente à Roménia (1-1), as nossas heroínas festejaram como nunca

Futebol Portugal: Até que ponto consideras importante a influência dos clubes por onde passaste para a tua afirmação como titular na seleção?

Ano após ano, sinto que aprendi muitas coisas, principalmente no estrangeiro. Trabalhei sempre para ganhar um lugar no onze da minha equipa, assim como na seleção, mas não me considero titular, até porque, a este nível, ninguém beneficia desse estatuto.

Futebol Portugal: Consideras que o trabalho feito nos clubes tem contribuído para o crescimento do futebol feminino em Portugal e para a crescente afirmação da nossa seleção?

Este ano, muita coisa mudou no futebol feminino em Portugal: dois grandes clubes da Primeira Liga de futebol masculino apostaram forte e, obviamente, isso é bom para nós enquanto atletas. Acredito que se iniciou uma nova era e que vamos conseguir mudar algumas mentalidades, nomeadamente as das pessoas que nunca acreditaram no futebol feminino. Desde já, aproveito para agradecer, mais uma vez, todo o esforço e dedicação do nosso presidente, Bruno de Carvalho, que tem mostrado grande confiança no nosso trabalho.

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Bruno de Carvalho tem protagonizado um esforço notável no sentido de fazer crescer o futebol feminino no nosso país

Futebol Portugal: Com um grupo tão talentoso, que expetativas têm para o Campeonato da Europa? Quão longe esperam chegar?

A partir do momento em que uma seleção está no Campeonato da Europa, sabemos que ocupa um lugar que se destina aos melhores, isto é, às seleções de topo mundial. Sei que é a primeira vez que estamos numa competição desta dimensão, mas também sei que, se estamos lá, é porque temos qualidade. Tudo é possível no futebol. Sou muito ambiciosa e espero estar na final, porque o meu pensamento é sempre o de chegar o mais longe possível, e o mais longe possível é a final.

Futebol Portugal: Sentes que é retirado algum protagonismo ao futebol feminino em relação ao masculino? Como avalias a projeção que é dada ao trabalho das atletas portuguesas? De que forma lidas com este tabu no dia a dia?

Obviamente que não se pode comparar os dois mundos, em diversas circunstâncias, mas acredito que, daqui para a frente, as pessoas nos vão valorizar cada vez mais e pode ser que um dia possamos atingir o mesmo patamar que os masculinos. Acredito que muita coisa mudará.

Futebol Portugal: Restringindo-nos a um domínio mais particular, gostaria que nos falasses acerca das tuas ambições em termos de carreira. Vês, no Campeonato da Europa, uma oportunidade para te projetares para voos mais altos?

Sempre tive um sonho desde pequena – jogar na melhor equipa do mundo, poder ganhar a Liga dos Campeões e ainda ser campeã da Europa e do Mundo. Sempre fui ambiciosa e sempre quis mais e mais. Nunca vou desistir daqueles que são os meus objetivos. Nunca penso negativo e esse é o primeiro passo para o sucesso. Acredito em mim e sei dos meus valores, mas obviamente que tenho de trabalhar para estar ao nível das melhores do mundo. O meu maior sonho é estar entre as nomeadas para a conquista da Bola de Ouro ou mesmo ganhá-la. Não vou desistir e, quem me conhece, sabe que essa palavra não cabe no meu dicionário.

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A atual guardiã da seleção nacional sonha atingir o patamar da excelência no futebol mundial

Futebol Portugal: O que te move e o que te motiva a fazeres mais e melhor de dia para dia?

A paixão pelo futebol, a vontade que tenho de voar mais alto e a crença de que, um dia, poderei chegar ao nível das melhores e estar ao seu lado.

Futebol Portugal: Quem é a tua grande inspiração? Qual é a guarda-redes que te enche as medidas?

Para mim, a guarda-redes que sempre mostrou uma enorme segurança entre os postes e uma grande tranquilidade a jogar com os pés, que sempre se destacou pela forma única de abordar os lances, pela postura que tem e pela forma como defende os remates é a Hope Solo. Estas características fazem dela uma guarda-redes de topo e é sempre um prazer para mim vê-la atuar. Gosto muito, também, da Nadine Angerer, da Alemanha, que, por acaso, ganhou uma Bola de Ouro e sempre foi, também, uma referência para mim.

Futebol Portugal: Atualmente, qual pensas ser a melhor futebolista do planeta?

Infelizmente uma que desistiu esta época, mas que para mim foi uma jogadora completa, não tendo percebido o facto de nunca ter estado entre as nomeadas para a conquista da Bola de Ouro – a Necib – que sempre foi uma referência para mim. Hoje, em dia a Lloyd, dos Estados Unidos da América, é uma jogadora de altíssimo nível e que tem vindo a evoluir bastante.

Futebol Portugal: Para finalizar, gostarias de dedicar esta qualificação a alguém em especial? Se sim, por que motivo?

Gostaria de a dedicar a toda a minha família, amigos e a todos os portugueses que sempre acreditaram em mim e nesta seleção.

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Patrícia Morais agradece o apoio de todos os portugueses ao longo da fase de qualificação para o Europeu

Futebol Portugal: Patrícia, uma vez mais, agradeço em nome de toda a equipa a simpatia evidenciada ao teres-te disponibilizado a partilhar um pouco da tua experiência connosco e com os nosso seguidores. Tudo de bom.

Foi um prazer!

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