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O Blog do Futebol em Portugal

Futebol / Fair-play financeiro

Fair-play financeiro

Este artigo é de opinião pessoal e não traduz necessariamente a opinião do Futebol Portugal. A responsabilidade é exclusivamente do autor.


Pinto da Costa Na minha primeira e última crónica, datada de Setembro, eu alertei que o FC Porto iria apresentar, seguramente, um dos maiores prejuízos do futebol português – são perto de 60 milhões de euros em prejuízos, o pior resultado de uma SAD em Portugal, pior ainda que o Sporting com o Godinho Lopes. Aqueles que estão mais atentos às finanças dos clubes, bem como aqueles que convivem comigo, já estavam avisados e preparados para uma realidade incontornável: O FC Porto iria falhar o fair-play financeiro. Ao contrário do que se possa pensar, o clube não é, automaticamente, castigado por falhar a meta; terá é que apresentar justificações à UEFA. Por exemplo, o Sporting, que já violou o fair-play financeiro, não foi excluído da UEFA, fruto do acordo em reduzir drasticamente os seus custos (algo que parece que acontecerá no Dragão). O Galatasaray, por outro lado, falhou no acordado e foi excluído. A exclusão é sempre o último castigo, aplicado quando as outras alternativas falham.

 

Portanto, para esclarecer os mais confusos, não, o FC Porto não será punido com uma exclusão das competições da UEFA – para já, pelo menos. No entanto, há questões que devem – e podem – ser colocadas. Um clube com dificuldades financeiras não pode gastar cerca de 6% das suas receitas (12 milhões de Euros), como publicado neste relatório da FPF, que analisa somente o valor gasto em comissões. Fruto da inflação do mercado, poderão dizer. Seguindo essa lógica, o mercado inglês não inflacionou. A liga que mais receitas gera no mundo, tem clubes que pagam menos em comissões que a liga portuguesa. O Manchester United gastou, em comissões, cerca de 13 milhões de Euros. Um clube que gera mais receitas em camisolas que as receitas totais do FC Porto  pagou mais 1 milhão que o clube português. O FC Porto não está num caminho sustentável e é isso que os sócios e adeptos devem estar a questionar. Já agora, da mesma lista da FPF, o Benfica gastou cerca de 10,5 milhões de Euros. Coisa pouca, portanto. Estes valores ganham outras dimensões se percebermos que algumas comissões foram pagas por jogadores livres, como Kayembe, outros que nem são conhecidos pelos adeptos (irmãos Djim), ou ainda por jogadores com clara falta de qualidade (Abdoulaye e Marega). Já para não falar da forma amadora como o clube lida com excendetários (renovar com Quintero para depois nem contar com ele – “melhor estrutura do mundo”).

Gostam do André Silva, Danilo e Rúben Neves? Se calhar, pode ser boa ideia não se habituarem muito a eles.

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