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O Blog do Futebol em Portugal

Futebol / Historicamente falando #1 – Académica de Coimbra

Historicamente falando #1 – Académica de Coimbra

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Escrevo este artigo no dia em que Académica faz 129 anos de existência, o que torna a equipa de Coimbra a mais velha de Portugal.

A Associação Académica de Coimbra foi fundada em 1887, sendo o mais clube mais antigo a atuar não só em Portugal como na Península Ibérica, e o 13º mais antigo do Mundo.

O Organismo Autónomo de Futebol, criado em 1984 com o intuito de profissionalizar o futebol, mas nem sempre foi assim, até à década de 70 a grande maioria dos jogadores eram estudantes universitários.

Apelidada de “Briosa” pelos adeptos, alcunha que advém da forte entrega com que normalmente se batiam as equipas amadoras de estudantes mesmo contra equipas de atletas profissionais de alta competição.

Do Colégio de São Apóstolo aos palcos internacionais.

Em Janeiro de 1912, a Académica fez jogo, foi contra o Ginásio de Alcobaça. Nessa partida, disputada no dia 28, a Académica surgiu equipada com camisolas brancas e calções pretos, num encontro que terminaria com a vitória da Associação Académica de Coimbra por 1-0.

Poucos meses depois de ter disputado o seu primeiro jogo, a Académica estreou-se em competições oficiais, na Taça Monteiro da Costa. No entanto, seria na segunda edição da prova, a 9 de Março de 1913, que a Associação Académica iria vencer o seu primeiro troféu, sagrando-se “campeã do Norte”. Na final, a Académica bateu o FC Porto por 3-1.

Do Campo de Santa Cruz ao Estádio Cidade de Coimbra

Académica de Coimbra, desde muito cedo que tentou obter a sua primeira infra-estrutura desportiva, desde o dia 14 de Novembro de 1901 que a equipa de Coimbra procurava convencer a Câmara Municipal, mas sempre sem sucesso. Cerca de duas décadas depois, foi finalmente inaugurado o Campo de Santa Cruz. Depois de analisado o campo, chegou-se à conclusão que o campo não tinha as condições mínimas para uma boa prática de futebol.

A fantástica época de 1932-33.

Quem é amante da equipa de Coimbra, sabe o quão é importante esta época na história deste clube.  A Académica conquistou mais uma vez o título distrital, tendo marcado 37 golos e sofrido apenas três. Para acrescentar mais ênfase a esta fantástica época, a Académica que, nos jogos com o seu maior rival, o União, conseguiu um resultado agregado de 7-0.

A primeira-liga.

Em 1934-1935 ocorreu a grande revolução no panorama desportivo português, a criação da principal da liga portuguesa.  O primeiro jogo da Briosa na 1ª Liga data de 20 de Janeiro de 1935, com o Sporting, no Campo de Santa Cruz.

1939, a conquista da 1ª Taça de Portugal.

A Taça de Portugal é uma das competições com mais tradições no panorama desportivo nacional. Considerada como a prova raínha do futebol português, teve a sua edição de estreia na já longínqua época 1938/39. Depois de eliminar o Covilhã, o Académico do Porto e o Sporting, a Académica tinha pela frente, no jogo decisivo, o Benfica. Perante cerca de 30 mil espectadores, no Campo das Salésias, a Académica venceu os encarnados por 4-3, com golos de Pimenta, Alberto Gomes e dois de Arnaldo Carneiro. Assim se escreveu uma página de ouro na História da Académica!

Em 1947, os estudantes deixam oficialmente o Campo da Santa Cruz e passam a jogar no Municipal de Coimbra, No novo recinto, a grande novidade foi mesmo o facto de ser relvado, algo completamente desconhecido naquela altura em Coimbra.

Estádio Municipal de Coimbra

Estádio Municipal de Coimbra (1947)

Em 1951, a Académica chega novamente à final da Taça de Portugal, mas é cilindrada pelo Benfica (curiosamente o derrotado da final de 1939) por 5-1, Macedo foi o autor do golo da Académica.

A primeira transferência lusa para o estrangeiro

A temporada 1960-61 é mais uma época de ouro para o futebol português, e muito por culpa da Académica. Isto porque a primeira grande transferência de um jogador do futebol luso para o estrangeiro é protagonizada por Jorge Humberto, atleta da Briosa que assinou pelos italianos do Inter de Milão.

1966/1967: Quase, quase, quase!

A Académica na época de 1966 consegue um lugar histórico, a Briosa terminou na segunda posição atrás do Benfica naquele que foi, diga-se, um duelo bastante intenso e que durou até final. Três pontos apenas separaram as duas equipas no final do campeonato que coroou ainda o avançado Artur Jorge como segundo melhor marcador da competição, apenas ultrapassado por Eusébio.

A estreia europeia da Académica

A Académica faz a sua estreia em competições europeias na temporada 1968/1969 frente aosfranceses do Olympique de Lyon. A Briosa perdera em França por 1-0 mas em Coimbra venceu pelo mesmo resultado. No final, o capitão da Académica, Rocha, escolheu o lado errado da moeda.

A origem do Organismo Autónomo

10 anos depois, o Clube Académico de Coimbra foi extinguido. Tudo aconteceu a 27 de Julho de 1984 quando o auditório da Associação Académica de Coimbra foi o local escolhido para que Ricardo Roque, presidente da AAC, e Jorge Anjinho, presidente do CAC, assinassem o protocolo que consagrou a extinção do Clube Académico de Coimbra e a sua reintegração na casa-mãe, agora com o estatuto de organismo autónomo. Nascia então a AAC/OAF – Associação Académica de Coimbra/Organismo Autónomo de Futebol.

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1985, o Calhambé e a Mancha Negra

O ano de 1985 marca o nascimento da mais antiga falange de apoio da Académica que se encontra em plena actividade. A Mancha Negra veio dar outro colorido aos jogos da Briosa e estreou-se a 3 de Março de 1985, no jogo Académica – Sporting de Braga. Para símbolo oficial da claque foi escolhida uma das mais populares personagens da Walt Disney: o Mancha Negra. Sob o lema “Se jogasses no céu … morreríamos para te ver”, a importância da claque na vida da Académica é reconhecida por todos e ela está sempre presente, onde quer que a Briosa jogue. A sede da Mancha Negra está situada no Pavilhão Eng. Jorge Anjinho.

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Estádio Cidade de Coimbra

No dia 29 de Outubro de 2003, a Briosa entra pela primeira vez em campo no remodelado Estádio Cidade de Coimbra, numa partida frente ao Benfica. O jogo começou em festa e foram muitos os espectadores que assistiram a esse encontro. O primeiro golo pertenceu a Tonel, mas o jogo terminou com a derrota dos “estudantes” por 3-1. Este foi então o primeiro encontro oficial disputado no remodelado recinto da Briosa.

A Academia Dolce Vita

A Academia Dolce Vita é, hoje, a casa-forte da Académica. Situada no limiar da cidade de Coimbra, o centro de treinos da Briosa é um espaço exemplar que apresenta condições de excelência, ideais para um clube de futebol profissional, bem como para todos os seus escalões de formação. Inaugurada no dia 15 de Dezembro de 2007, na presença do Secretário de Estado da Juventude e Desporto, Dr. Laurentino Dias, e do Presidente da Académica, Eng. José Eduardo Simões, a Academia Dolce Vita é uma das grandes obras da História da Académica.

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2012, o Jamor voltou a vestir-se de preto e branco.

Cumprido que estava o objectivo principal (a manutenção na 1ª Divisão), a Briosa pôde, finalmente, apontar baterias para o Jamor. Se na época transacta os “estudantes” tinham caído nas meias-finais, desta feita a Académica conseguiu carimbar o regresso ao Estádio Nacional, 43 anos depois. Oriental, FC Porto, Leixões, Desp. Aves e Oliveirense ficaram pelo caminho e no Jamor seria o Sporting o adversário, numa final inédita. O entusiasmo em Coimbra era grande e no dia 20 de Maio de 2012 a cidade deslocou-se para as bancadas do Estádio Nacional, que voltou a receber a Académica, na 5ª final da sua História. Para a Briosa, estar no Jamor significava já uma vitória mas faltava a “cereja no topo do bolo”.

 

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2015/2016: A descida de divisão, 14 anos depois

Apesar de ter salvo a Académica da descida de divisão na temporada anterior, José Viterbo não permaneceu durante muito tempo no banco de suplentes da Académica em 2015/2016. Depois de 5 derrotas nos primeiros 5 jogos, o Presidente José Eduardo Simões decidiu trocar Viterbo por Filipe Gouveia mas a verdade é que a mudança de técnico não evitou a descida para a 2ª Divisão. A Briosa foi mesmo a última classificada, averbando 25 pontos em 34 jogos. 14 anos depois, os “estudantes” estavam de regresso ao escalão secundário do futebol português. Uma temporada para esquecer que resultou, também, numa mudança directiva.

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Este artigo é fundamentado e redigido em alguns outros sites, entre eles o site oficial da Académica de Coimbra.

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