Register  /  Login

O Blog do Futebol em Portugal

Futebol / A incessante busca pela “margem de progressão”

A incessante busca pela “margem de progressão”

guinea-1

Scouting. Jovem talento. Contratos profissionais. Prospecção. Craque. Aposta na formação. FIFA Agent. Sub-21.

Certamente já ouviu falar nestes conceitos. Em todas as janelas de transferência a cobiça pelos jovens talentos do mundo é uma pandemia! Quanto mais novo melhor. Quanto mais cedo tiver chegado à equipa principal melhor. Quanto mais prémios individuais tiver ganho melhor! É impressionante o nível de assédio que um jogador de 18/19 anos é alvo. Relatórios para um lado, vídeos do WyScout para outro. Testemunhos do treinador que o descobriu. Testemunhos do pai do jogador. Vale tudo para chamar a atenção dos tubarões do futebol.

Chegar ao topo do futebol mundial é uma coisa muito mais precoce do que há relativamente pouco tempo. Vejamos senão o caso de alguns jogadores que ascenderam ao topo mesmo antes de estarem totalmente formados: Ozil chega ao Real Madrid com 22 anos; Neymar vai para Barcelona aos 21 anos, Cristiano Ronaldo fez as malas rumo a Manchester aos 18 anos,  Gotze é titular no Bayern de Munique com 21 anos. Messi, quem mais, mudou-se aos 13 da Argentina para La Masia… Os exemplos hoje em dia são muitos, porém vejamos a história de Zidane que chega á Juventus com 24 anos e quando se muda para o colosso Real Madrid já tinha 29. Uns bons anos antes Platini, que viria a ser mais tarde tri Bola de Ouro, mudava-se para a Juventus com 27 anos. Ronaldinho, Shevchenko e Figo despontam para o futebol europeu aos 23, o que já era muito cedo. Nedved ganha a Bola de Ouro aos 29, no ano em que se transferiu para a Juventus. Isto tudo para mostrar como o jogador jovem tem cada vez mais valor. Se, inclusive, já ouviu falar de Martin Odegaard então tudo o que acabei de dizer faz ainda mais sentido.

Ontem o mundo do futebol assistiu a duas pequenas tragédias: as selecções sub-21 de Espanha e de França não se conseguiram qualificar para o Europeu da categoria a realizar no próximo ano na República Checa. Ora isto não seria de estranhar se não tivessem estas duas selecções muitos dos melhores jogadores jovens do mundo e que já chegaram a clubes de topo, como anteriormente tentei focar. Comecemos pelos “nuestros hermanos”: Isco, Carvajal e Jesé (Real Madrid), Manquillo, Suso e Alberto Moreno (Liverpool), Juan Bernat (Bayern de Munique), Alvaro Morata (Juventus), Munir El Haddadi e Sergi Roberto (Barcelona). Do lado dos gauleses: Jean-Christophe Bahebeck, Adrien Rabiot e Lucas Digne (PSG), Yaya Sanogo (Arsenal), Kurt Zouma (Chelsea), Layvin Kurzawa, Geoffrey Kondongbia e Anthony Martial (Monaco), Kingsley Coman (Juventus). A adicionar a toda esta constelação temos jogadores de altíssimo nível que estão na eminencia de dar o salto para um grande como Iker Muniain (Bilbao), Óliver Torres (Porto/Atlético de Madrid), Gerard Deulofeu (Sevilla/Barcelona), Florian Thauvin (Marselha). A qualidade por vezes não é tudo e todos estes jovens que enunciei já foram de certa forma contagiados pelo vírus dos contratos milionários e das vidas de vedeta o que pode retirar muito do rendimento e da entrega de um jogador. Basta referir que foram eliminados por duas modestas selecções como a Suécia e a Croácia, que apesar de muito organizadas e com um futebol interessante, não tinham nem metade das soluções e qualidade do adversário.

Depois de tudo isto falemos então na famosa margem de progressão… Jogadores destes que aos 20-21 anos já estão na alta roda do futebol europeu, ninguém acredita que já estejam no auge da sua carreira e no entanto duvido que mais do que um ou dois se mantenha nos grandes clubes e façam uma longa e próspera carreira. E porquê? Simplesmente porque crescer depressa de mais nunca foi bom e a busca por jogadores “demasiado” jovens funciona mais como uma salvaguarda para uma possível falha dos scouts do que outra coisa. Muitos deles serão Robinhos e Adus desta vida!

 

PS: Mourinho acaba de contratar um guarda-redes de 13 anos e mais não digo…

Comentar