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Futebol / Juventus 1-1 Milan (3-4 a.p.) | Jejum chega ao fim cinco anos depois

Juventus 1-1 Milan (3-4 a.p.) | Jejum chega ao fim cinco anos depois

Depois de, a 22 de outubro, o Milan ter saído vencedor do duelo diante dos Bianconeri (1-0), os orientados de Massimiliano Allegri procuravam a redenção nesta partida decisiva. 

Campeã italiana e vencedora da Taça de Itália, a Juventus partia para esta Supertaça como grande favorita. Tendo ganho os dois troféus de maior importância do seu país na passada temporada, a Vecchia Signora tinha pela frente a inconformada equipa do Milan, finalista vencida da Taça de Itália.

Locatelli marcou o único golo do Milan 1-0 Juventus, jogado no passado mês de outubro

Ao contrário daquilo que se costuma observar entre duas equipas italianas, o jogo foi muito aberto desde início. Nos primeiros 25 minutos, foi claro o domínio da Juventus, que detinha a posse de bola e dirigia as operações a seu bel-prazer. Assim, logo aos 7 minutos, Mandžukić colocou à prova Donnarumma com um belo remate de longe, ao qual o jovem guardião italiano soube responder à altura. Pouco depois, aos 17 minutos, os campeões italianos por 32 vezes viriam a chegar mesmo à vantagem: na marcação de um canto, Miralem Pjanić colocou a bola em Chiellini, que aproveitou a passividade da defensiva contrária para fazer o golo, num remate pouco ortodoxo.

Com 1-0 no marcador, a Juventus recuou no terreno e o Milan foi obrigado a arriscar e a subir linhas, comportamentos estes que acabaram por se revelar extremamente benéficos para os orientados de Vincenzo Montella, que abandonaram a inibição inicial para se transformarem na irreverente equipa que acabou por conseguir a vitória. Deste modo, a seguir ao golo da Juventus, passou-se porventura pela fase de maior equilíbrio da partida, a qual passou a ser muito disputada a meio-campo. Apesar do crescimento dos Rossoneri, a Juventus continuava a conseguir travar os sucessivos ataques adversários, muito graças a Alex Sandro, que ia neutralizando com grande classe o sempre fulguroso Suso.

Para grande desgraça de Allegri, Alex Sandro vir-se-ia a lesionar à passagem do minuto 32, ele que se vinha afirmando como um dos elementos em melhor plano, não só pela competência a defender, mas também pelos sucessivos malabarismos no ataque que levantavam o estádio. Para o seu lugar, entrou o veterano Patrice Evra, que foi o “passador” que Suso queria ter tido pela frente na primeira meia hora.

Desta forma, aos 38 minutos (curiosamente – ou não – depois da lesão de Alex Sandro), o Milan chegaria ao golo do empate na primeira oportunidade de que dispôs: Suso cruzou na direita – de resto, foram 7 os cruzamentos eficazes em 24 tentativas do espanhol ao longo do jogo – e, escapando à marcação de Stephan Lichtsteiner, Giacomo Bonaventura apareceu no coração da área a cabecear de forma brilhante para o fundo das redes defendidas por Buffon.

Após o golo do Milan, a tendência da partida inverteu – os comandados de Montella passaram a dominar a posse de bola e a acutilância atacante que havia sido imagem de marca da Juventus nos primeiros minutos seria, então, por eles “roubada”.

Sensivelmente nove minutos após o golo milanista, e para grande alívio da Juve, que via a sorte começar a torcer-lhe o nariz, chegou-se ao intervalo.

Ao intervalo, os golos de Chiellini e de Bonaventura faziam o 1-1 no marcador

Na segunda parte, os desinteressantes primeiros minutos foram rapidamente esquecidos pelos presentes nas bancadas quando, em dois minutos consecutivos, o Milan criou duas oportunidades soberanas para chegar à vantagem: primeiro, aos 56 minutos, Suso atirou com força à baliza de Buffon, mas Chiellini antecipou-se e foi capaz de bloquear o remate; depois, aos 57 minutos e na sequência do canto originado pelo lance anterior, foi Romagnoli a cabecear com estrondo à barra. Na resposta, Sami Khedira obrigou Gianluigi Donnarumma a uma grande intervenção, na sequência de um remate de fora de área pleno de intenção. O jogo estava vivo e nenhuma das equipas queria ficar para trás, tendo Carlos Bacca, aos 62 minutos, ficado a centímetros do golo: Kucka cruzou, mas o colombiano chegou ligeiramente atrasado.

Depois de seis minutos frenéticos, seguiu-se um período de calma no jogo, durante o qual entraram Paulo Dybala e Mario Pašalić para os lugares de Miralem Pjanić e de Manuel Locatelli, respetivamente.

Com a entrada de Dybala em campo, a Juventus ganhou outra criatividade no que ao processo ofensivo diz respeito. Assim, aos 77 minutos, o argentino “assaltou” a baliza milanesa, mas o seu potentíssimo remate espontâneo saiu a rasar o poste. Três minutos depois, La Joya voltou a tentar de longe, mas Donnarumma deteve as suas ambições. Na resposta, Bacca teve a oportunidade de colocar o Milan na liderança, isto aos 85 minutos, quando cabeceou para uma enorme defesa do sempre imponente Buffon.

Apesar das sucessivas tentativas de parte a parte para desfazer o empate, chegou-se ao final dos noventa minutos com um empate no marcador, o que forçou a ida a prolongamento.

Buffon chegou hoje aos 600 jogos pela Juventus. Lenda.

Na etapa complementar, foram inúmeros os erros de parte a parte, o que era francamente compreensível se tivermos em conta o desgaste acumulado pelos jogadores ao longo dos noventa minutos. Apesar de tudo, foram ainda algumas as oportunidades que surgiram, tanto para o lado dos pentacampeões italianos, como para o lado do Milan.

Assim, aos 92 minutos, Bonaventura teve nos pés uma ocasião soberana para marcar, quando rematou forte, de um ângulo apertado, para uma sensacional parada de Buffon. No seguimento da jogada, Chiellini ainda interveio de forma providencial, ao impedir a recarga de Carlos Bacca. A reação propriamente dita da Juventus a este lance só surgiu ao minuto 108, quando Higuaín viu o seu disparo travado pelo guardião adversário.

Por fim, aos 116 minutos, Dybala teve nos pés a conquista da Supertaça para a Juventus, mas, em posição frontal, rematou incrivelmente por cima da barra. Por culpa do desperdício do jovem argentino, o resultado não se alterou até final, o que forçou a marcação de grandes penalidades.

Há muito que o Milan sonhava conquistar um troféu outra vez. A espera foi longa, mas valeu a pena.

Nas grandes penalidades, tudo parecia correr bem à Juventus, isto na medida em que Marchisio convertera a primeira e Buffon havia, em seguida, defendido a de Lapadula. No entanto, o remate à barra de Mario Mandžukić no penalty seguinte e a vistosa defesa de Donnarumma na cobrança de Dybala acabaram por virar as contas a favor do Milan, que converteria todas as grandes penalidades à exceção da primeira.

Depois de cinco anos de seca, o Milan voltou a vencer um troféu e fê-lo com toda a justiça. Terá sido este o primeiro de muitos sob o comando de Vincenzo Montella?

Este é um Milan que promete… Estará para ficar, ou será apenas fogo de vista?

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