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Futebol / Louis Van Gaal – o fim de uma carreira que dividiu opiniões

Louis Van Gaal – o fim de uma carreira que dividiu opiniões

Louis Van Gaal anunciou esta segunda feira o fim da carreira de treinador aos 65 anos, motivos familiares estarão na origem da decisão.

“Após sair do Manchester pensei que ia parar. Depois mudei para uma pequena pausa sabática, mas agora não penso voltar a treinar”, referiu van Gaal em declarações ao jornal ‘Telegraaf’

O holandês foi, ao longo da sua carreira, apelidado por uns de louco e por outros de génio, mas a verdade é que teve uma carreira recheada de sucessos.

Van Gaal começou a sua carreira de treinador ao serviço do Ajax em 1991 onde venceu praticamente tudo e ainda serviu de base à seleção holandesa da altura. Venceu por três vezes o campeonato holandês, venceu a Liga dos Campeões, a Liga Europa, a Taça Holandesa e o Mundial de Clubes. Foi uma jornada de sucesso ao serviço dos holandeses que terminou em 1994.

 

Seguiu-se uma aventura no Barcelona onde Van Gaal teve que enfrentar o início da era “galática” do Real Madrid. Ao serviço dos Blaugrana, o treinador holandês teve ao seu lado os portugueses Luís Figo, Vítor Baía e Fernando Couto e como treinador adjunto, José Mourinho. Não conseguiu atingir a glória europeia como havia feito no Ajax mas teve sucesso nas competições domésticas. Venceu a Liga Espanhola nas épocas 1997/98 e 1998/99, venceu ainda a Taça do Rei e a Supertaça Europeia em 1997. Na catalunha orientou grandes nomes da história do futebol como Rivaldo, Giovani e Kluivert. A aventura em Espanha acabaria em 2000.

 

Em 2000 chegou a hora de Van Gaal assumir a pele de selecionador e orientar a seleção holandesa. A primeira tarefa era qualificar a laranja mecânica para o Mundial de 2002. A equipa já estava montada, era praticamente a mesma que tinha perdido a meia final do Mundial de 1998 frente ao Brasil e por isso os holandeses era presença quase certa no Mundial do Japão e da Coreia do Sul. Van der Sar, Van Bommel, Van Bronckhorst, Seedorf, Davids, Kluivert e Van Nistelrooy eram alguns dos nomes que faziam da Holanda uma seleção temível. Foi aqui que Van Gaal teve o seu primeiro grande fracasso, não conseguiu o apuramento para o Mundial de 2002, tendo ficado em terceiro no Grupo B atrás de Portugal e República da Irlanda, muito por culpa do conflito de egos que se gerou no balneário da seleção.

 

Depois de uma experiência falhada ao serviço da seleção do país que o viu nascer, Louis Van Gaal regressou ao Barcelona ainda em 2002. E este seria um dos piores períodos da sua carreira de treinador. Esteve apenas seis meses ao serviço do Barcelona, foi despedido em janeiro de 2003 e deixou o gigante espanhol a apenas três posições da descida de divisão.

 

Chegava a altura de voltar ao seu país, em 2005 assumiu o comando técnico do AZ Alkmaar onde voltou a ser feliz. Ficou em segundo lugar na sua primeira época, seguiu-se um terceiro lugar e no início da temporada 2008/2009 ameaçou deixar o clube fruto de duas derrotas nas duas jornadas inaugurais do campeonato mas alguns jogadores convenceram-no a continuar e a aposta deu frutos, nessa época o AZ Alkmaar viria a sagrar-se campeão holandês e ficou oito meses sem conhecer o sabor da derrota.

 

Em 2009 chegou a altura de ingressar no Bayern de Munique com a missão de voltar a conquistar a Liga dos Campeões para os gigantes alemães. Logo na sua primeira temporada esteve perto de o conseguir mas foi derrotado na final pelo Inter de Milão comandado por José Mourinho. Com uma equipa recheada de grandes nomes como Robben, Ribéry, Müller, Lahm e Schweinsteiger, o máximo que conseguiu conquistar foi a Bundesliga, a Taça da Alemanha e a Supertaça germânica. Em 2011 perdeu o campeonato alemão para o Borussia Dortmund e acabou por deixar o Bayern de Munique.

 

Chegamos então à penúltima aventura de Van Gaal enquanto treinador de futebol. Em 2012 voltou a assumir o comando da seleção holandesa, onde tinha deixado algo por provar na sua passagem anterior. E a verdade é que fez um bom trabalho neste regresso. Qualificou a sua seleção com tranquilidade para o Mundial do Brasil, ao mesmo tempo que operava uma renovação na mesma. No Mundial de 2014, a seleção holandesa esteve perto da final, mas acabou por perder o bilhete para a final do Maracanã nos penáltis frente à Argentina. No jogo de atribuição do terceiro e quarto lugar, a Holanda bateu o Brasil e ficou assim em terceiro lugar no Mundial de 2014, numa altura em que não tinha os grandes nomes do passado.

 

Em Julho de 2014 chegou o último desafio da sua carreira. O holandês foi contratado para o banco do Manchester United e tinha a tarefa de reerguer o clube depois da reforma de Alex Ferguson e da aposta falhada em David Moyes. A sua experiência em terras de sua Majestade não correu bem e nunca conseguiu conquistar o apreço dos adeptos do Manchester United. Nunca reuniu consenso em Old Trafford perante uns adeptos sedentos de vitórias e pouco habituados às “invenções” táticas do holandês, o que levou mesmo a que apelidassem o seu futebol de “aborrecido”. Ao serviço do Manchester United conquistou apenas uma Taça de Inglaterra e acabou por ser despedido em 2016, depois de muita contestação, dando o lugar a José Mourinho.

 

Chega assim ao fim a carreira de um grande treinador de futebol que dividiu algumas opiniões durante a sua carreira, ao longo da qual conquistou 20 títulos, entre eles uma Liga dos Campeões Europeus.

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