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O Blog do Futebol em Portugal

Futebol / Luzes e Sombras …

Luzes e Sombras …

“Mais do que o campeonato ganho pelo FC Porto, o tema dominante na agenda mediática parece ser o “Apagão” da Luz. O tom é genericamente acusatório, e muitos benfiquistas têm, eles próprios, contribuído para alimentar a teoria do “escândalo”, da “vergonha” e do “mau perder”.
Lamento se desaponto alguém, mas não dou para esse peditório. Se me perguntassem se teria sido capaz de desligar eu próprio a luz, responderia provavelmente que não. Daí a entender este episódio como uma vergonha nacional, vai uma larguíssima distância. Tal como a bandeira não hasteada no Estádio do Dragão, o “Apagão” tratou-se de um fait-divers, que até têm alguma graça (fez-me sorrir, na hora da derrota), e não constitui qualquer tipo de violência física, ou sequer moral, para ninguém.
O FC Porto fez a sua festa como quís. Os portistas festejaram à saída do Estádio da Luz, na Avenida da República, e até no Marquês de Pombal (passaram quase despercebidos porque não são muitos, mas estiveram lá), sem que ninguém os incomodasse – coisa que seria difícil de se verificar na cidade invicta (ainda me lembro das cabeças partidas nos Aliados em 2005), quer pela óbvia diferença entre comportamentos dos adeptos, quer pela estranha diferença de critérios das forças policiais. A comitiva portista chegou, permaneceu e partiu de Lisboa sem o mais pequeno arranhão. Vimos, pela TV, jogadores a passearem tranquilamente fora do hotel (situado no coração da capital), dando autógrafos, tirando fotos, sem o mínimo problema. Durante o jogo, à excepção de uma bola de golfe (uma só, e curiosamente com uma inscrição publicitária) e algumas maçãs (podres?) atiradas a João Moutinho aquando da marcação de um canto, não houve a mais pequena manifestação de hostilidade, a não ser, obviamente, a verbal, e própria do calor da rivalidade. No fim do jogo os adeptos do Benfica saíram, e deixaram que a festa adversária corresse sem provocações ou ameaças. Isto sim, deve ser realçado, e não quanto tempo ficaram acesas as luzes após o jogo terminar.
Alguns artigos de opinião em jornais desportivos chegam a ser chocantes, tal o exagero que colocam no assunto, sobretudo se contrastado com a forma superficial e leviana como sempre trataram os temas relacionados com o processo “Apito Dourado” (deixado quase em exclusivo à imprensa generalista), cujos contornos mais obscenos sempre omitiram e ocultaram – e dos quais, diga-se, tinham obrigação de ter conhecimento muito antes de terem chegado à opinião pública. Entendo que a diplomacia de muitos benfiquistas os leve a esperar do clube (de todos os seus dirigentes, funcionários e adeptos) um comportamento ético irrepreensível, que marque claramente a diferença face aos bárbaros. Não aceito, contudo, que se exija que o clube, e todos os seus agentes, tenham constantemente de dar a outra face, como Cristo, e não possam, em aspectos que considero inócuos, mostrar que também sabem responder a provocações. Até porque a iluminação de um estádio é cara, e nada obriga o Benfica a financiar festas do FC Porto. Se alguém acha que aquela gente merecia um tratamento melhor, não é o meu caso. O resto é conversa fiada de jornalistas, e do seu “fair-play” de vão de escada” – via VB

M.C.

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