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Futebol / O passado e os Tigers de Marco Silva

O passado e os Tigers de Marco Silva

Marco Silva, 39 anos. Natural de Lisboa, começou a carreira de jogador na Margem Sul de Lisboa, no Cova da Piedade. Belenenses, Rio Ave ou Estoril Praia foram apenas alguns dos clubes que representou enquanto jogador. Foi, de resto, nos Estorilistas que terminou a sua carreira como jogador, na temporada 2010/2011, para assumir o comando técnico dessa mesma equipa para a temporada 2011/2012.

E que melhor estreia poderia ter o jovem técnico português, senão com um título? Com apenas cinco derrotas em 30 partidas na Liga Orangina, o Estoril foi campeão com cinco pontos de avanço sobre o Moreirense. Nessa mesma época, os canarinhos chegaram à fase de grupos da Taça da Liga, onde terminaram no último lugar, atrás de Vitória Futebol Clube, Paços de Ferreira e FC Porto. Na Taça de Portugal, caíram nos oitavos-de-final, empatando a dois com o Olhanense mas perdendo nas grandes penalidades.

Marco Silva e os jogadores do Estoril festejam o título da Liga Orangina

A temporada seguinte trouxe a Marco Silva a sua estreia como treinador na Primeira Liga. Novamente, Marco Silva voltou a brilhar numa estreia. Os recém-promovidos terminaram a liga no quinto posto e garantiram vaga na Liga Europa para a temporada seguinte. Na Liga Europa de 2013/2014, Marco Silva também entrou a vencer. Na 3ª pré-eliminatória, os canarinhos bateram o Hapoel Ramat Gan, de Israel, por um agregado de 1-0. No play-off de apuramento para a Fase de Grupos da competição, bateram o FC Pasching da Áustria com um agregado de 4-1, após duas vitórias (2-0 e 1-2). Na fase de grupos, a Equipa da Linha encontrou o campeão dessa edição da Liga Europa, o Sevilha, que derrotou o Benfica nas grandes penalidades. O grupo tinha ainda o Slovan Liberec, da República Checa, e o Friburgo, da Alemanha. Apesar de não ter conseguido vencer nenhuma partida, o Estoril impôs uma igualdade a uma bola no Estádio Ramón Sánchez Pizjuán, em Sevilha.

Marco Silva “no céu” com a qualificação europeia na temporada 2012/2013

E quem pensava que o 5º lugar do Estoril tinha sido surpreendente, que dizer do 4º alcançado nesta temporada. Com um registo fantástico fora de casa (9 vitórias e apenas 2 derrotas em 15 partidas), o Estoril ficou a sete pontos do terceiro classificado, o FC Porto, e com 9 de avanço do quinto posto, ocupado pelo Nacional da Madeira.

Depois de ter sido imensas vezes apontado como um sucessor de qualquer treinador dos três grandes, a mudança aconteceu mesmo na época 2014/2015. Marco Silva foi apresentado como treinador do Sporting Clube de Portugal. Apesar de ter terminado no terceiro posto no campeonato (a 9 pontos do campeão, SL Benfica e a 6 do vice-campeão, FC Porto), Marco Silva quebrou o jejum de títulos do Sporting que durava desde a temporada 2007/2008, conquistando a Taça de Portugal, numa das finais com mais emoção dos últimos anos. Na Liga dos Campeões, ficou no terceiro posto do Grupo G, atrás do Chelsea e do Schalke, com os dois jogos com os alemães envoltos em polémicas. Na Liga Europa, caíram nos 16-avos, aos pés do Wolfsburgo, com uma derrota por 2-0 na Alemanha (a título de curiosidade, com dois golos do actual Ponta-de-Lança do Sporting, Bas Dost) e um empate a zero em Alvalade.

Marco Silva com a Taça de Portugal de 2015

Seguiu-se o seu polémico despedimento no final da temporada, por “não utilizar o traje oficial do clube”, para dar o seu lugar a Jorge Jesus. O português emigrou então para a Grécia, para os crónicos campeões gregos, o Olympiacos. Foi campeão grego com 28 vitórias em 30 jogos, tendo apenas sofrido uma derrota em todo o campeonato, batendo inúmeros recordes. Na Champions, a equipa de Silva ia surpreendendo a Europa, terminando no terceiro lugar em igualdade pontual com o Arsenal, trazendo uma vitória por 3-2 do Emirates Stadium. Na Liga Europa, caíram na primeira fase aos pés do Anderlecht, após prolongamento na segunda mão. No final dessa temporada, deixou o comando técnico dos gregos, alegando “razões pessoais”.

Marco Silva nos festejos do título do Olympiacos

No início deste ano, começou o seu novo desafio, assumindo o comando técnico do Hull City, último classificado da Premier League. Para alguns, o treinador português deu um passo atrás na carreira, para outros, a experiência de treinar em Inglaterra apenas fará bem a Marco Silva e apontam-no como o homem certo para tirar os tigers dos últimos postos.

Na sua primeira temporada na Primeira Liga, ao serviço do Estoril, Marco Silva optou por um 4-3-3 na maioria dos casos, com um médio mais próximo dos centrais e com um ponta-de-lança com alguma mobilidade, tendo construído um estilo de jogo maioritariamente de posse e com muita verticalidade. O Estoril marcou 47 golos em 30 jornadas, sendo o quarto melhor ataque do campeonato. Nas mesmas 30 jornadas, os canarinhos sofreram 37 golos, tornando-se na quinta defesa menos batida da competição.

Para a temporada 2013/2014, Marco Silva trouxe poucas alterações. Um dos centrocampistas recuou um pouco no terreno, colocando o outro mais próximo do Ponta-de-Lança. Estas alterações permitiram ao Estoril marcar um número idêntico de golos (42) e reduzir em 11 os golos sofridos.

Já no Sporting, o treinador português deu continuidade ao seu 4-3-3, mas voltou ao seu estilo de 2012/2013. William Carvalho ocupava um lugar mais recuado no meio campo, enquanto Adrien Silva e João Mário jogavam com uma mentalidade mais ofensiva, especialmente o segundo, que assumiu grande parte da criatividade do ataque do Sporting. Com extremos que apareciam muitas vezes próximo do ponta-de-lança, fosse Montero ou Slimani, o treinador potencializou e muito o caudal ofensivo dos laterais Cédric e Jefferson. Mantendo a verticalidade que lhe era conhecida, tentou colocar muita intensidade nos dois médios centro, mas nem sempre o conseguiu e isso custou-lhe alguns pontos no campeonato.

Seguiu-se o Olympiacos onde a sua equipa marcou 81 (!!) golos em 30 jogos, sofrendo apenas 16. Nesta temporada, Marco Silva voltou a jogar com um médio mais próximo do ponta-de-lança, deixando dois médios mais atrás no terreno. A sua equipa continuava a ter muita bola e os extremos apareciam também inúmeras vezes perto do avançado, potencializando aberturas nas alas para subidas dos laterais. Uma pressão muito alta defensivamente acompanhou o que tinha sido utilizado no Sporting e na maioria dos jogos do Estoril.

Apresentação de Marco Silva no Hull City

Chega agora ao Hull City e volta a encontrar uma equipa que não está acostumada a lugares cimeiros no campeonato, à semelhança do que encontrou no Estoril aquando da promoção. A maior dificuldade do treinador será, porventura, o número reduzido de jogadores que tem ao seu dispor. No jogo para a Taça da Liga, frente ao Manchester United, o treinador tinha apenas 15 jogadores do plantel sénior disponíveis, tendo de fazer diversas adaptações antes e durante o jogo. No entanto, Marco Silva parece querer que os Tigers continuem a jogar com três homens no meio-campo, pelo menos no processo ofensivo. No jogo contra o Swansea, Huddlestone, Mason e Snodgrass ocuparam esses lugares, com o último a jogar próximo do ponta-de-lança, numa função próxima de um “número 10”. No entanto, Marco Silva ainda não conseguiu que as suas equipas mantenham a posse de bola da forma como nos vem habituando, um pouco também pelas diferenças do futebol inglês para o restante futebol europeu.

Iremos ver Marco Silva aproximar o Hull do seu futebol habitual ou irá o técnico português procurar uma nova forma de jogar em Inglaterra?

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