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Futebol / Premier League: há um excesso de jogadores estrangeiros?

Premier League: há um excesso de jogadores estrangeiros?

O debate sobre o eventual excesso de jogadores estrangeiros na Premier League reacendeu-se recentemente, a propósito da hipotética utilização da nova “coqueluche” do Manchester United, Adnan Januzaj (de 18 anos), pela Selecção de Inglaterra.

Januzaj nasceu na Bélgica, é filho de pais albaneses e kosovares, também pode ser convocado para as selecções da Turquia e da Sérvia, e poderá jogar por Inglaterra a partir de 2018, de acordo com as regras da FIFA sobre os anos de residência num país.

A BBC Sport comparou os números da actual temporada com os de 2007/08 (http://www.bbc.co.uk/sport/0/football/24467371), e a conclusão a que se chega é que, nos últimos seis anos, a variação é miníma.

Do total de minutos jogados até 1 de Outubro nesta Premier League, a relação da utilização entre jogadores ingleses e estrangeiros era de 32% / 68%, face aos 35% / 65% de 2007/08.

Ou seja, por cada minuto jogado por um jogador inglês, são jogados dois minutos por jogadores estrangeiros.

Se compararmos estes dados com os da Liga espanhola (59% de utilização por jogadores espanhóis) ou com a Liga alemã (metade por jogadores alemães), percebemos que os números são de facto muito inferiores.

Mas estes dados não significam per si, na minha opinião, que haja um excesso de jogadores estrangeiros em Inglaterra.

Os clubes da Premier League têm uma capacidade financeira impar para contratar jogadores no exterior, não só pelas receitas geradas pela liga globalmente, mas também pelo modelo em vigor de distribuição das receitas televisivas.

Por este motivo, podem contratar os melhores, sejam eles ingleses ou não.

Quanto a mim a questão fundamental é saber se os clubes fazem o investimento adequado na formação de jogadores ingleses e se, chegados aos seniores, estes têm oportunidade para jogar, sobretudo nos primeiros anos de transição junior/senior.

E se relativamente há formação a resposta é inequivocamente sim, também relativamente às oportunidades dadas entendo que estão a trabalhar bem.

No mesmo estudo da BBC é possivel verificar que este ano na Championship (segunda divisão), os jogadores ingleses utilizados equivalem a 55% do total (tendo aumentado em relação aos 48% de 2007/08).

Ou seja, a Championship funciona como um “filtro”, um espaço onde os jogadores ingleses podem mostrar o seu talento (muitas vezes emprestados por clubes da Premier).

Se alargarmos o âmbito desta discussão ao conceito de “futebol britânico”, os números são ainda mais reveladores:

– na Premier League deste ano, 43% do tempo total foi jogado por jogadores britânicos (47% em 2007/08);

– e na Championship, 79% do tempo total foi jogado por jogadores britânicos (75% em 2007/08);

O aumento do número de jogadores estrangeiros na Premier League nos últimos 20 anos é, na minha opinião, o reflexo de três factores:

– a procura de novos mercados enquanto fonte de receitas (televisão, merchandising, digressões, parcerias comerciais), com a utilização de jogadores locais como “embaixadores” da Premier e dos clubes (Ji-Sung Park será o melhor exemplo);

– a chegada de treinadores não-britânicos (que trouxeram com eles novas ideias e novas regiões de recrutamento de jogadores);

– a aquisição de clubes ingleses por milionários estrangeiros, com recursos financeiros para investir em novos jogadores nunca antes vistos.

Não questiono a necessidade de se “protegerem” os jogadores nacionais. Mas tanbém não posso concordar que se tracem cenários alarmistas,especulativos, pouco fundamentados e que parecem querer ignorar o facto de que a globalização se tornou realidade.

Por isso, a defesa dos jogadores e do futebol inglês deve ser feita não com medidas saudosistas de um tempo que já era e não vai voltar, mas sim com uma abordagem moderna e competente.

Artigo redigido por Sérgio Nunes

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